Ainda a escola x leitura

Um colégio de Caxias todos os anos indicava para a leitura dos alunos, fora os clássicos, apenas livros de autores de uma só editora. Todo início de ano rolava uma Feira do Livro, com presença de alguns autores, e desta se montava a grade de leituras. Pela metade dos anos 90, no dito colégio, caro e no qual estuda parte da elite da cidade,  o elenco da tal editora dominava as leituras de literatura gaúcha ou contemporânea. Apenas uma professora não aceitava a escolha e oferecia aos alunos uma lista de opções.

É óbvio que o colégio levou alguma vantagem para dar exclusividade à tal editora. Os autores talvez nem soubessem o que se passava, mas de alguma forma foram beneficiados. O esquema causou dano a quem foi obrigado a ler os tais livros – os alunos. Não causaria se fossem realmente bons – o que não são. Mas mesmo que fossem, não há melhores ou mais fundamentais?

A discussão sobre as leituras na escola começa a ficar complexa.

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No post de ontem acabei cometendo uma injustiça ao não anotar a correta posição do Carlos André a respeito da importância da leitura começar em casa. Ele chama atenção hoje em novo post para o fato de que, sim, concordamos: se não houver estímulo em casa o sujeito chega à escola quase um caso perdido.

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Voltando aos livro, dois foram fundamentais para gostar de ler. Ainda não perderam nada daquilo que me fez gostar tanto deles quando era criança. O Gênio do crime provocou furor na minha turma de quinta série. Passou de mão em mão o único exemplar do colégio até ficar totalmente imprestável.  Não preciso olhar o Google para me lembrar que o detetive se chama John Smith Peter Tony e que o segredo para seguir alguém sem ser notado é fazê-lo de trás para a frente.

O segundo li aos 12. Estava com caxumba, sem sair de casa. De alguma maneira a minha vida de suburbano, com irracionais antipatias pelos moradores de todas as ruas próximas (embora apenas em parte do tempo, pois era amigo deles no colégio), apego quase patriótico ào matagal atrás de nossas casas, assim como às cavernas da imensa pedra  da Igreja da Penha (meu quintal) e a amizade hierárquica com os vizinhos (criamos um “exército” que durou anos, com patentes baseadas em nossas alturas – eu era capitão) tinha um correspondente na Budapeste do início do século XX. Aqueles garotos esquisitos que roubavam a massa dos vidros das janelas para mascar e passam quase a história inteira se preparando para resolver na porrada a posse de um terreno são responsáveis por hoje ainda saber pronunciar todos os nomes húngaros dos personagens. Dali em diante não teve mais volta. O livro é esse aqui.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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One Response to Ainda a escola x leitura

  1. Essa edição nova dos Meninos da Rua Paulo é linda.
    E olha, li esse livro – em uma edição tbm muito bonita, porém muito brasileira, de 70-e-bolinha – num dia em que estava doente em casa. Não era caxumba. Infância…

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