Urbanidade

Seis da tarde, porta do prédio.

Preciso pegar o ônibus. O ponto está a três quadras. Chove. Não tenho guarda-chuva. Essa porra de chuva não pára – comento com um vizinho. Ele leva um amigo ao portão. O amigo encara a chuva. Tenta pegar um táxi, que vai embora.  Vai numa direção, mas aponto: tem um ponto de táxi ali. Ele vai na direção certa. O vizinho, que ainda estava comigo, resmunga algo e se afasta. Penso que voltou para dentro do prédio, mas quando olho está mijando na vidraça da portaria, do lado de fora. Balança os braços, termina, vai para dentro. Fica uma poça imensa no canto.

Tenho que sair daqui – penso. Encaro a chuva.

Uma quadra. Chove. Uma e meia. Chove. Duas, vai dar. Chove. E… chove, chove, chove, chove, chove, chove, chove, chove. Três.

Pára de chover.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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