O Google tenta salvar os jornais

Perguntei se os rumores que havia ouvido, de que o Google estava mudando de opinião sobre se envolver na produção de conteúdo original, era verdade.

Não, ele respondeu de maneira bastante convincente, não estão. Google não é uma companhia de conteúdo e não está indo nesta direção, ele explicou. Mas tem planos para uma solução. Em seis meses a companhia vai apresentar um sistema com notícias de alta qualidade para usuários que não estavam ativamente atrás delas. Sob a interação desta nova busca avançada, usuários serão automaticamente servidos  com o tipo de notícia que os interessa apenas por acessar a página do Google. O mais recente algoritmo aplica a filtragem mais sofisticada – baseada em busca de palavras, escolhas do usuário, hábitos de compra, um conjunto inteiro de pistas – para determinar o que o leitor está buscando mesmo sem ter conhecimento disso. E nesta base o Google acredita ser capaz de vender anúncios premium para noticiário premium.

As duas primeiras organizações a receber este tratamento, disse Schmidt said, serão o New York Times e o Washington Post.

O Google esteve a ponto de matar o jornalismo (o jornalismo mesmo, não só os jornais). Agora acha que pode salvá-lo. A vendagem de jornais cai mundialmente (fora no Rio Grande do Sul, que é do contra) e o noticiário migra para a internet, mas não o modelo de negócios. Jornais são perdulários e caros de fazer. Conseguem se manter cobrando caro dos anunciantes em suas páginas. Sem dinheiro, não há bom jornalismo.

O Google quase matou o jornalismo ao oferecer um sistema de remuneração com só um ganhador: o Google. Os anúncios são baratos demais, apresentados de modo pulverizado. Milhões de sites que exibem Google ads não conseguem algo que possa ser chamado de verdade de faturamento, mas o Google, por sua vez, ganhando um pouco de cada um dos milhões de sites, transforma isso em muito.

Na passagem para a internet, as grandes equipes do jornalismo atual não vão mais existir. Exceto para uma meia dúzia, soam inviáveis. A compensação seria o jornalismo independente – a possibilidade de cada um ser sua própria redação, sustentado pelos leitores e anunciantes. Funcionaria se os anúncios na internet não fossem tão baratos e realmente funcionasse qualquer sistema de doações.

Voltando à estaca zero, Eric Schmidt, do Google, agora aponta a luz: um sistema que vai rastrear hábitos dos leitores e exibir notícias remium, cobrando mais dos anunciantes do que pelo noticiário comum. Em vez de cobrar pelo noticiário, uma das opções discutidas hoje, nada mais do que o modelo tradicional: cobrar um valor decente pelos anúncios.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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One Response to O Google tenta salvar os jornais

  1. Mister M. says:

    Os jornais só vão se salvar se deixarem de ser tão vendidos aos interesses privados. Até parece que a mídia que existe é uma grande coisa.

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