Dance, baby, dance

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Foi um dos inventos que mais teve impacto na vida da pessoas comuns sem que se dê a devida consideração. Até sua invenção, em 1949, a fotografia caseira foi um hobby de ricos. Famílias posavam para fotos anuais. Já havia o fotojornalismo, mas basicamente fotografava-se eventos, não a vida. A Polaroid era mais ou menos barata e tinha um atrativo: as fotos eram reveladas em minutos graças ao filme instantâneo.

O filme instantâneo, vi há pouco em um documentário, foi uma obsessão do inventor, Edwin Land. Ele tinha uma fábrica de produtos óticos. Achou que dava para fazer uma câmera cujas fotos ficariam prontas na hora, sem necessidade de esperar a revelação do filme. O processo de polarizar a luz no filme, fazendo a revelação surgir aos poucos diante dos olhos, deu o nome à Polaroid.

As pessoas compraram milhões de máquinas e começaram a fotografar umas às outras. Estavam inventados os álbuns de família. O mundo passou a ser registrado em infinitos aspectos.

Fotos Polaroid são minhas favoritas. As imagens são meio fantasmagóricas – não que aquelas de outras feitas em filmes 126 fossem muito melhores.  Não parecem a realidade, puramente interpretação. As pessoas às vezes se tornam excessivamente pálidas.

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Aqui no Brasil nunca pegou direito. Era cara e perdeu a competição para as máquinas caseiras de filmes. Nos Estados Unidos, foi um fenômeno até as câmeras digitais. Tinha quinze mil empregados em 1994. Há meses a imprensa americana abre espaço a lamentos pelo fim das Polaroids. A empresa anunciou no ano passado que não vai mais produzir as câmeras e nem o filme instantâneo.

É dos fatos que atordoam pelas mudanças em curso desde que o mundo passou a se tornar digital. Os jornais impressos estão morrendo, a indústria musical já morreu e se recusa a aceitar, assim como também começa a agonizar a cinematográfica do tamanho que é hoje. O fim da Polaroid é um detalhe saudosista. Câmeras digitais e celulares completaram o que a Polaroid começou. Milhares de vezes mais pessoas se fotografam. Imagens que numa certa proporção vão se tornar acessíveis.

dance-31Sem Polaroids, não haveria Dance Lessons, sensacional álbum de fotos do Square America, fornecedor da imagem  do cabeçalho do blog.

A última vez em que tirei uma Polaroid foi em 1997. Há muitos anos não vejo a foto.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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