Criatividade demais na TV dura pouco

Diabos. Pushing Daisies foi cancelada. Foi a idéia mais original na TV americana nos últimos anos e tem uma história bonita que dói: Ned, um confeiteiro, tem o poder de reviver os mortos com um toque, mas se tocá-los de novo eles morrem para sempre. Quando ele revive a mulher que amava desde a infância, assassinada, sabe que nunca mais poderão se tocar.

Os dois e mais um detetive investigam juntos crimes em que há recompensas para quem resolvê-los. O confeiteiro (the piemaker, como ele é chamado pelo narrador, soa melhor) simplesmente visita o necrotério, toca o morto uma vez e pergunta quem o matou. Depois o mata com um novo toque.

O visual é exuberante, exagerado nas cores e (idéia já meio batida) com narração em terceira pessoa e humor negro. O clima é meio A Família Addams (Barry Sonnenfeld, diretor do filme, é um dos produtores), meio Tim Burton, com uma séria influência de Amélie Poulain. Lee Pace, o ator principal, tem muita classe.

Minha simpatia aumentou quando descobri que o criador era Bryan Fuller, o mesmo de Wonderfalls, que passou há alguns anos aqui na Fox, só durou uma temporada e tinha uma grande sacada: uma pós-adolescente de pais ricos, mas loser, balconista de uma gift shop nas Cataratas do Niagara e morando em um trailer, de repente começa a receber ordens sem sentido de objetos inanimados. Fuller também criou Dead like me, mas esta é meio bobinha.

Como Wonderfalls, Pushing Daisies não passou da primeira temporada por falta de audiência. Por causa da greve dos roteiristas, a primeira temporada foi dividida em duas e os episódios que sobraram foram para a segunda. Não foi produzido mais nenhum. Os três últimos vão estrear na Alemanha antes dos Estados Unidos, onde talvez só passem na internet. A história simplesmente acaba sem uma conclusão.

É um paradoxo. Como é muito mais barato fazer uma série do que um filme (ou minisséries x novelas no Brasil), há muito mais abertura para idéias estranhas hoje em dia. Por outro lado idéias e formatos  inusitados demais são sempre rejeitados pela audiência. As Tvs até que tentam. Há programas sobre quase tudo, mas só por um curto espaço de tempo, e também um padrão único de sobrevivência – comédias de costumes, clones de Sex and the city e violência.

Para durar, criatividade demais na TV tem que que ganhar um caminhão de prêmios todo ano feito 30 Rock, que nem é tão diferente do normal.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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