DFW, mais uma vez

Suicide is indeed a savage god. As Al Alvarez writes, “Once a man decides to take his own life he enters a shut off, impregnable, but wholly convincing world”

Focus on the work, not the writer’s life

Numa onda meio avassaladora a ponto de provocar algumas ironias necessárias, a importância de David Foster Wallace vai sendo rapidamente estabelecida. De escritor meio esquisito, prolixo e verborrágico – denominações bastante encontráveis anteriormente –, agora é o mais criativo de sua geração, um autor brilhante e atormentado, etc. Tudo bem se não fosse o inevitável: DFW está virando o novo Kurt Cobain, o novo ídolo do pessoal que confunde literatura com vida pessoal, um clichê de artista atormentado incapaz de lidar com a complexidade de ser quem era. Um efeito disso é que DFW será lido. Mais do que jamais foi. Mas ele foi mais do que “o cara que se matou”. Foi um escritor realmente estranho, ególatra, verborrágico e genial por transformar isso tudo em excelente literatura.

Outro exagero é da imprensa. The Guardian transformou em artigo um discurso de DFW, que, pelo anunciado, deveria dar algumas pistas sobre o suicídio. É um grande exemplo da onipotência de certo jornalismo, que se acha capaz de “explicar” qualquer coisa, até o inexplicável.

Mas, fora os exageros, é justa a comoção. Foster Wallace agora se situa dentro da literatura muito superior ao lugar onde estava antes. E entre todas as homenagens aquela incomparavelmete a melhor é da Playboy, que colocou em seu site o primeiro conto de Foster Wallace, Late Night, publicado pela revista em 1987.  O brilhantismo e exagero da escrita já estão presentes nesta história de uma mulher que vai ao programa de David Letterman.

Mais do que qualquer resenha, crítica, culto ou post, o melhor jeito de se conhecer um escrior.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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One Response to DFW, mais uma vez

  1. Pardal says:

    Excelente post. Não sei se é porque andava pensando nesse tema, não exatamente com o DFW, mas com os outros artistas-personagens-de-si, especialmente Bob Dylan. É um assunto que me move discussões esse do que importa, o artista ou a arte. eu vou sempre me inclinar a acreditar que é o segundo, mas estudiosos vão até dizer que sem o artista a arte não seria completa.

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