Reflexos de uma noite mal dormida

Experimentei ser ator hoje pela primeira vez. Quer dizer, meio ator. Tudo o que fiz foi bocejar em um salão de festas (bem massa, com playstations e fliperamas) em algumas tomadas do filme que  a Carol dirigiu (o primeiro dela) em Caxias. Também servi de cenário para o bocejo de um palhaço. Mesmo só tendo dormido algumas horas em dois dias e sem nenhum café, foi surpreendentemente difícil um bocejo natural. Apesar da grande seqüência de bocejos verdadeiros o tempo todo, diante da câmera acabei com uma careta todas as vezes.

Sempre tive dificuldade de lidar com câmeras. Em entrevistas, acabo sem saber para onde olhar e falando baixo demais. Certa vez, anos atrás, participei de uma mesa redonda sobre futebol na TV e certamente aquelas quatro horas estão entre as mais angustiantes da vida inteira. Comentaristas esportivos são acostumados a gritar o tempo todo e brigar pela atenção da câmera. No meu caso, só falava quando convidado. Além de tudo, o debate era sobre futebol do interior do Rio Grande do Sul, assunto que domino tanto quanto técnica de edificações ou energia termelétrica.  De modo que na maioria das vezes em que fui filmado bebia água ou coçava o nariz.

Mas ando em um momento de confrontar deficiências. Não gosto de andar de avião, mas tenho me obrigado a fazê-lo. No caso de uma câmera, nunca vai rolar naturalidade. Já me basta que suma a vontade de morrer.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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