São Paulo é das cidades onde consigo viver

Terça voltei a São Paulo depois de nove anos. Estranho que tenha se passado tanto tempo e uma pena ter ficado apenas algumas horas, mas a viagem, mesmo curta, valeu a pena. Há muito não viajava de dia ou com o céu tão claro. A visão de cima dos cânions do Rio Grande do Sul ou dos contornos de Florianópolis é impressionante mesmo depois de muitas vezes. O pouso em Congonhas foi a mesma tensão de sempre, você olha e não entende como pode haver tantas decolagens e pousos em um aeroporto tão sitiado. Aí observa aquele vazio à direita cercado de tapumes onde o avião da TAM explodiu e engole em seco.

Mas o vôo não teve problemas tanto na ida quanto na volta e foi a primeira vez em muito tempo que isso aconteceu – sem turbulências, sem precisar arremeter ou ficar sobrevoando a cidade por uma hora à espera da vez de pousar quase sem combustível. Minha calma não foi abalada nem mesmo pelo fato do cara que iria viajar ao meu lado ter desistido na sala de embarque e resolvido ficar. Enquanto o avião decolava, claro, imaginei as entrevistas dele no dia seguinte se houvesse um acidente. Mas foi tudo bem.

Tenho má vontade com qualquer cidade onde eu não esteja, exceto Buenos Aires. Quando distante, faço de tudo para não ir. Quando lá estou. não tenho vontade de voltar. Sempre foi assim quando morava no Rio e vinha a Porto Alegre e depois morando em Porto Alegre e voltando ao Rio. Com relação a São Paulo, visitei a cidade na base de uma vez por mês em 95 e 96, depois voltei uma vez para assistir a uma final do Campeonato Brasileiro, uma para uma entrevista e nunca mais. Tinha esquecido de como gostava antes de alguns lugares (bares e lojas). Agora não deu tempo de ver se ainda estão lá.

Não é que não goste mais de Porto Alegre. Mas é visível no ar, há muito tempo, a sensação. É impossível não me ver um pouco como Sam Sheppard em Os eleitos, o piloto que fica para trás quando todos decidem virar astronautas. Por ora, a impressão de que não há nada a fazer ou viver aqui.

Caminhei um pouco na Paulista e depois foi um longo compromisso, uma cerveja no fim da tarde e o aeroporto de novo. Queria ter ficado um pouco mais. No fim, São Paulo ainda é das cidades onde consigo viver.

About Alexandre Rodrigues

Alexandre Rodrigues não acredita no terceiro segredo de Fátima.
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2 Responses to São Paulo é das cidades onde consigo viver

  1. Tiago P. says:

    > é impossível não me ver um pouco como Sam Sheppard em Os eleitos,
    > aquele piloto que fica para trás quando todos decidem virar astronautas.

    Acho que essa é uma sensação geral.

  2. mardruck says:

    Moro em São Paulo desde 2002. Acho que agora a cidade está bem MENOS violenta e suja do que quando cheguei.

    O custo de vida que continua uma merda mesmo.

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