A morte de Campos de Carvalho segundo Antonio Prata

Cinco dias depois, 10 de abril, Sexta-Feira da Paixão, Walter (que dizia não crer em Deus nem crer que Deus cresse nele) saiu para tomar um sorvete, sentiu-se mal e morreu do coração. Seu caixão foi carregado por mim, meu pai, um primo cujo nome esqueci e pelo motorista do rabecão, um bigodudo chamado Jesus.

Na Folha.

 

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Um fim

Este blog existiu de 22/6/2002, tendo se iniciado no dia seguinte à vitória do Brasil sobre a Inglaterra, a hoje, 13/6/2012, e agora está morto, deixou de existir, tornou-se objeto de estudo para historiadores, não é mais, chutou o balde, está dançando com os sinos do outro lado. Este é um ex-blog.

Todavia, as coisas continuam aqui.

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Títulos alternativos para Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick

  • Doctor Doomsday.
  • Don’t Knock the Bomb.
  • Dr. Doomsday and his Nuclear Wiseman.
  • Dr. Doomsday Meets Ingrid Strangelove.
  • Dr. Doomsday or: How to Start World War III Without Even Trying.
  • Dr. Strangelove’s Bomb.
  • Dr. Strangelove’s Secret Uses of Uranus.
  • My Bomb, Your Bomb.
  • Save The Bomb.
  • Strangelove: Nuclear Wiseman.
  • The Bomb and Dr. Strangelove or: How to be Afraid 24hrs a Day.
  • The Bomb of Bombs.
  • The Doomsday Machine.
  • The Passion of Dr. Strangelove.
  • Wonderful Bomb.

via Letters of Note.

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Um lugar chamado Misharistão

Os muçulmanos de Nizhny Novgorod, a quinta maior cidade da Rússia e onde nasceu Gorki, não se consideram russos. Eles chamam sua região de Misharistão. A vida ainda é tradicional. Enterros são realizados com o caixão aberto e o corpo envolto numa manta e,  nas casas, não se dorme em camas e sim em tapetes. As fotos são de Vlad Sokhin, russo de nascimento, mas que também se considera português.

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Mandamentos – Henry Miller

1. Trabalhe em uma coisa de cada vez até terminá-la. 2. Não comece mais livros novos, não adicione mais material novo para “Primavera Negra”. 3. Não fique nervoso. Trabalhe com calma, alegremente, de forma imprudente seja o que for que tiver à mão.  4. Trabalhe de acordo com uma Programação e não de acordo com o humor. Pare na hora marcada! 5. Quando você não pode criar você pode trabalhar. 6. Cimente um pouco a cada dia em vez de adicionar novos fertilizantes. 7. Mantenha-se humano! Veja as pessoas, vá a lugares, beba, se tiver vontade. 8. Não seja um burro de carga! Trabalhe com prazer. 9. Rejeite a Programação quando lhe apetecer, mas volte para ela no dia seguinte. Concentre-se. Reduza. Exclua. 10. Esqueça os livros que você quer escrever. Pense apenas no livro que você está escrevendo. 11. Escreva primeiro e sempre. Pintura, música, amigos, cinema, tudo vem depois.

(Henry Miller on Writing via Brain Pickings)

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Uma resenha: “Contra o Dia”

Resenha minha sobre o livro de Pynchon (do qual escrevi também a orelha), publicada na Folha de S. Paulo em abril:

Como quase tudo que envolve Thomas Pynchon, a história pode ser só mais uma lenda. Após o 11 de Setembro, ele teria manifestado a amigos preocupação com a resposta americana aos ataques -a invasão do Afeganistão e medidas como o Ato Patriótico, que até hoje suspende alguns direitos individuais.

Sua reação foi escrever “Contra o Dia”, publicado originalmente nos EUA em 2006 e que sai agora no Brasil pela Companhia das Letras.
Mistura de romance de aventura aérea e saga de vingança, “Contra o Dia” tem, de fato, elementos que remetem ao mundo de hoje.

Fim da privacidade, terrorismo, instabilidade política, ganância capitalista e autoritarismo são o pano de fundo do livro.

Mas o livro vai muito além de uma parábola sobre paranoia. Sem abrir mão de estilo e originalidade, o sexto romance da carreira de Pynchon é uma espiral de mais de cem personagens, muitos extravagantes, indo do Colorado a Londres, de Chicago a Nova York, Veneza e Viena e até à Sibéria e a regiões abaixo da superfície, entre 1893 e o momento posterior à Primeira Guerra Mundial.

Tamanha exuberância espalha pela internet fãs em busca de significados. Há uma enciclopédia on-line apenas para o livro, com milhares de anotações e correlações dissecando-o quase frase a frase.

Tentativa válida, afinal não há personagem ou tema central. O elenco, numa descrição atribuída ao próprio autor, inclui “anarquistas, balonistas, jogadores, magnatas corporativos, entusiastas de drogas, inocentes e decadentes, matemáticos, cientistas loucos, xamãs, físicos, ilusionistas, espiões, detetives, aventureiros e assassinos profissionais” (além de um cão que lê Henry James).

Eles se juntam a figuras de verdade, como o cientista Nikola Tesla e o ator Groucho Marx, criando um mundo que, se não é este em que vivemos, poderia sê-lo.

TRAMAS

Com esforço, é possível apontar como tramas principais a jornada de vingança dos quatro irmãos Traverse, filhos do anarquista Webb, morto por pistoleiros contratados pelo magnata Scarsdale Vibe, e as aventuras dos Amigos do Acaso, tripulação do dirigível Inconveniência que viaja pelo mundo. A partir daí, nada é simples.

Os Traverse se veem diante de um problema: não sabem como é o matador. E os aventureiros se veem metidos em missões sobre as quais nada sabem.

A maneira como a vingança dos irmãos engrena lembra a obsessão do autor pela própria privacidade, que não dá entrevistas e só tem duas fotos conhecidas, de décadas atrás, (participou de “Os Simpsons” com um saco na cabeça). Um dos irmãos só a leva adiante após receber a foto do assassino. É como se Pynchon justificasse si mesmo: se eles conhecem seu rosto, podem pegar você.
 
ENCICLOPEDISMO

Como em “O Arco-Íris da Gravidade” (1973), sua obra mais famosa, passada na Segunda Guerra, à qual é uma espécie de introdução, o enciclopedismo se funde a seguidas trocas no estilo de narrativa, personagens com nomes esquisitos e uma assombrosa quantidade de temas -espiritualidade, jazz, pacifismo, paranoia, ciência…

Em “Contra o Dia”, Pynchon reafirma sua visão do mundo, fundada nos valores dos anos 1960, com uma mensagem atual: o futuro ainda não chegou, preocupem-se com o mundo de agora.

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Uma ilusão

Quando o “Sr. B.” encontrou a equipe de Psiquiatria, informou que estava sendo continuamente gravado para transmissão nacional. “Mr. D.”  estava realmente trabalhando em um reality show – até que começou a acreditar que era a verdadeira estrela. Todas essas pessoas, e outras, sofreram com a ilusão de que estavam servindo de entretenimento para os outros. Todas citam especificamente o filme de 1998 “O Show de Truman”, escrito por Andrew Niccol, dirigido por Peter Weir e estrelado por Jim Carrey. No filme, Carrey interpreta um vendedor  de seguros vivendo em uma cidade que na verdade é um cenário de TV e povoada por atores que ele pensa que são seus amigos, familiares e vizinhos.

A ilusão do “Show de Truman”: Acreditando que sua vida é um reality show.

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