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Entries categorized as ‘Palavras’

Como criar um neologismo em 17 palavras

August 28, 2008 · Leave a Comment

EMILIANO: Heleno de Freitas é o cara dos anos 30 que ficou doido?

EU: Simfílis (sim, sífilis).

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O amor – Parte II

November 30, 2007 · Leave a Comment

Pastelão foi o primeiro livro de Kurt Vonnegut que li. Foi em janeiro de 2002, numa viagem ao Rio. Absolutamente chocado pelo tema – um sujeito de cabeça grande burro demais para ser outra coisa que não o presidente dos Estados Unidos e sua irmã mais inteligente – , percebi que ali havia alguma coisa que nunca havia encontrado.

Pastelão saiu das minhas mãos uns meses depois, emprestado a um amigo que nunca o devolveu. Nunca mais voltou. Ficou a vontade de uma releitura e a lembrança de um livro muito bom, meio excêntrico, no qual os dois personagens principais eram apresentados como uma versão literária do Gordo e o Magro (o que por si só já me conquistaria).

Vonnegut o escreveu em memória da irmã, Alice, morta de câncer aos 41 anos (sua morte precedeu a do marido, 24 horas depois, em um acidente de trem). Era a irmã do meio, mais velha do que o escritor e mais nova do que Bernard, que era cientista. Reconhece logo na primeira frase ser o mais próximo de uma autobiografia que poderia chegar. Quando Bernard também morreu, em 1997, abandonou a literatura por não ter mais a quem mostrar seus originais. No caso de Pastelão, obviamente tratam-se de Vonnegut e Alice os personagens principais.

Hoje comprei uma antiga edição da Artenova, com uma capa muito mais bonita do que a outra, do Círculo do Livro. Reli na fila do banco a apresentação. Não me lembrava de quase nada dela. Linda. A perfeição em duas páginas, define tudo que sempre pensei da literatura. A vida cotidiana não é relevante. Não precisamos de personagens pequenos. Podemos fracassar na tentativa (e eu fracasso miseravelmente o tempo todo), mas estamos nessa – ou pelo menos deveríamos estar –, como Laurel e Hardy, para dar grandeza àquilo que o destino nos coloca como desafio. Quem pensa diferente devia escrever um diário.

A base do humor do Gordo e o Magro, creio eu, era que eles se esforçavam ao máximo em cada prova que tinham pela frente.

Nunca deixavam de enfrentar de boa fé o seu destino e eram fantasticamente adoráveis e engraçados na tentativa.

***

Havia muito pouco amor em seus filmes. Era freqüente haver uma poética situação de casamento, o que é diferente. Tratava-se, no entanto, de uma outra prova – com possibilidades cômicas, desde que a ela todos se submetessem de boa fé.

O amor jamais estava em questão. E talvez porque eu tenha sido tão intoxicado e educado por Laurel e Hardy durante minha infância na Grande Depressão, ache natural discutir a vida sem jamais falar de amor.

É algo que não me parece importante.

***

Tive algumas experiências com o amor ou pelo menos acho que tive, embora aquelas de que mais gostei possam ser facilmente descritas como decência mútua. Por algum tempo tratei bem determinada pessoa e essa pessoa, por sua vez, me tratou igualmente bem. O amor nada tinha a ver com isso.

Outra coisa: sou incapaz de distinguir entre o amor que tenho por gente o que sinto por cachorros.

Quando eu era criança e não estava vendo filmes cômicos ou ouvindo os comediantes que trabalhavam no rádio, costumava passar de tempo rolando nos tapetes com os afetuosos e nada críticos cachorros que tínhamos.

E ainda faço isso. Os cachorros logo se cansam e ficam confusos e desconcertados. Eu poderia continuar a vida toda.

Aiô.

***

O amor está onde é encontrado. Acho que é tolice sair à sua procura e penso que muitas vezes isso pode ser prejudicial.

Eu gostaria que as pessoas que, para seguir as convenções, declaram que se amam, dissessem umas às outras quando brigassem: “Por favor – um pouco menos de amor e um pouco mais de respeito mútuo“.

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Dicionário Gabbinete Dentário de expressões fora de moda

November 22, 2007 · 2 Comments

Jornalismo

Derivado da literatura inventado por Daniel Defoe com Diário do Ano da Peste, no século XVII, para que um dia essa matéria ridícula pudesse vir a existir.

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Amor

October 17, 2007 · Leave a Comment

“The bottom line is that (a) people are never perfect, but love can be, (b) that is the one and only way that the mediocre and vile can be transformed, and (c) doing that makes it that. We waste time looking for the perfect lover, instead of creating”.

Tom Robbins – Still life with woodpecker.

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Anões

September 29, 2007 · Leave a Comment

Fiquei sozinho, sem a mulher que eu amava loucamente, sem Sabrina que estava enterrada no Caju e sem o único amigo que eu tinha no mundo que era o anão morto dentro da mala e a noite caiu e como eu não tinha mais o retrato dela para olhar fiquei olhando a mala até o dia raiar, quando então peguei a mala e fiquei andando com ela na sala de um lado para o outro.
O Anão, Rubem Fonseca

Anão, anão, anão,
Que agonia, que tormento!
Enquanto geme e se estica
Pensa consigo mesmo:
“Tamanho não é documento”
Livros de Bokonon, Kurt Vonnegut

Agora que Trout morava em Cohoes, a única pessoa a quem ele chamava pelo nome era Durley Heath, um anão londrino de cabeça vermelha. Trabalhava numa oficina de conserto de sapatos. Na sua banca de trabalho, Heath tinha uma placa com o seu nome, como a dos presidentes de firmas, para o caso de alguém querer se dirigir a ele assim.
De vez em quando Trout ia à oficina e falava coisas mais ou menos assim: – Quem é que vai ganhar o campeonato este ano, Durley? – ou – Sabe que barulho de sirenes era aquele ontem à noite, Durley – ou então – Você está muito bem hoje, Durley – onde é que arranjou essa camisa? – E assim por diante.
Almoço dos campeões, Kurt Vonnegut

Veja você, há vinte e quatro horas atrás, nós estávamos sentados no Hotel Beverly Hills, no terraço, é claro, e estávamos sentados debaixo de uma palmeira, quando um anão uniformizado se aproximou de mim com um telefone rosa-choque e disse: “Deve ser o telefonema que o senhor está esperando esse tempo todo”.
Medo e delírio em Las Vegas, Hunter S. Thompson

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Idéias

September 21, 2007 · Leave a Comment

Kago não sabia que os seres humanos podiam ser atingidos tão facilmente por uma idéia como pela cólera ou pela peste bubônica. Na Terra não havia imunidade contra idéias cretinas.

E eis a razão, segundo Trout, pela qual os seres humanos não podiam rejeitar as idéias quando eram más: ‘Na Terra, as idéias eram distintivos de amizade ou inimizade. O seu conteúdo não importava. Os amigos concordavam com os amigos a fim de expressar amizade. Os inimigos discordavam dos inimigos a fim de expressar inimizade’.

Por centenas de milhares de anos as idéias dos terráqueos não importavam, pois eles não podiam fazer muito com elas. As idéias podiam ser distintivos de qualquer coisa.

Tinham até mesmo um dito sobre a futilidade das idéias: ‘Se os desejos fossem cavalos, os mendigos seriam cavaleiros’.

E então os terráqueos descobriram as ferramentas. Subitamente, concordar com os amigos podia ser uma forma de suicídio ou pior. Mas a concordância continuou, não por causa do bom senso de decência ou instinto de conservação, mas por amizade.

Os terráqueos continuaram praticando a amizade quando, em vez disso, deveriam pensar. E até quando construíram computadores para pensar um pouco por eles, não os planejaram tanto por sabedoria como por amizade. Assim, estavam condenados. Os mendigos homicidas seriam cavaleiros.

(Kurt Vonnegut – Breakfast of champions)

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