Doces de hóstias.
Entries from April 2009
Pera, uva, maçã ou salada mista
April 30, 2009 · 2 Comments
Diante da notícia de que Adriano foi da Mulher Moranguinho para a Mulher Caviar, quanto tempo até se esgotarem os gêneros alimentícios mais populares e o pessoal começar a apelar?
- Você é…
- Mulher Limão Taiti. Era para ser Mulher Limão, mas Mulher Limão já tinha. E também Mulher Limão Siciliano.
- A concorrência anda forte.
- Nem me fala. Vê a Mulher Laranja. Já são umas seis ou sete. Da laranja lima à laranja da terra. Isso sem falar na Mulher Grapefruit. Alguém lá sabe o que é grapefruit?
Pelo menos quando chegar a notícia “Vágner Love é visto com Mulher Fruta Pão” será um sinal de que a moda está no fim.
E, claro, a Mulher Jiló é uma amarga.
Categories: Insanidade
O Google tenta salvar os jornais
April 29, 2009 · 1 Comment
Perguntei se os rumores que havia ouvido, de que o Google estava mudando de opinião sobre se envolver na produção de conteúdo original, era verdade.
Não, ele respondeu de maneira bastante convincente, não estão. Google não é uma companhia de conteúdo e não está indo nesta direção, ele explicou. Mas tem planos para uma solução. Em seis meses a companhia vai apresentar um sistema com notícias de alta qualidade para usuários que não estavam ativamente atrás delas. Sob a interação desta nova busca avançada, usuários serão automaticamente servidos com o tipo de notícia que os interessa apenas por acessar a página do Google. O mais recente algoritmo aplica a filtragem mais sofisticada – baseada em busca de palavras, escolhas do usuário, hábitos de compra, um conjunto inteiro de pistas – para determinar o que o leitor está buscando mesmo sem ter conhecimento disso. E nesta base o Google acredita ser capaz de vender anúncios premium para noticiário premium.
As duas primeiras organizações a receber este tratamento, disse Schmidt said, serão o New York Times e o Washington Post.
O Google esteve a ponto de matar o jornalismo (o jornalismo mesmo, não só os jornais). Agora acha que pode salvá-lo. A vendagem de jornais cai mundialmente (fora no Rio Grande do Sul, que é do contra) e o noticiário migra para a internet, mas não o modelo de negócios. Jornais são perdulários e caros de fazer. Conseguem se manter cobrando caro dos anunciantes em suas páginas. Sem dinheiro, não há bom jornalismo.
O Google quase matou o jornalismo ao oferecer um sistema de remuneração com só um ganhador: o Google. Os anúncios são baratos demais, apresentados de modo pulverizado. Milhões de sites que exibem Google ads não conseguem algo que possa ser chamado de verdade de faturamento, mas o Google, por sua vez, ganhando um pouco de cada um dos milhões de sites, transforma isso em muito.
Na passagem para a internet, as grandes equipes do jornalismo atual não vão mais existir. Exceto para uma meia dúzia, soam inviáveis. A compensação seria o jornalismo independente – a possibilidade de cada um ser sua própria redação, sustentado pelos leitores e anunciantes. Funcionaria se os anúncios na internet não fossem tão baratos e realmente funcionasse qualquer sistema de doações.
Voltando à estaca zero, Eric Schmidt, do Google, agora aponta a luz: um sistema que vai rastrear hábitos dos leitores e exibir notícias remium, cobrando mais dos anunciantes do que pelo noticiário comum. Em vez de cobrar pelo noticiário, uma das opções discutidas hoje, nada mais do que o modelo tradicional: cobrar um valor decente pelos anúncios.
Categories: Capitalismo
Tagged: Fim dos jornais, Google
Nó na garganta
April 28, 2009 · 1 Comment
Vou contar como já vi um porco ser morto.
Alguns, na verdade, mas foi basicamente assim:
Um porco foi arrastado por cordas até o meio do terreno, onde dois caras o atacaram a marretadas. Mas os golpes – muitos – na cabeça nunca liquidavam os porcos, que berravam de maneira horrível e muito alto. Enquanto estrebuchavam, alguém tinha de se abaixar com o punhal e acertá-los no coração, encerrando o morticínio. Não era um processo fácil. Mais de uma vez foram necessárias muitas punhaladas. Um pedaço de sabugo fechava o buraco, impedindo o sangue de escorrer.
Desde a parte em que era arrastado e imobilizado, um porco demorava mais ou menos meia hora para morrer e duas horas para desaparecer inteiro. A carne ia para o congelador. Os miúdos – o que chamava de “barrigada” – eram cozidos em panelas imensas. O sangue virava linguiça – chouriço naquela parte de Minas. Toda a pele era cortada, frita e, transformada em torresmo, deixada esfriar um pouco e atirada junto com a gordura dentro de grandes latas de metal, depois lacradas. O resto – cabeça e ossos; pés e orelha são utilizados para fazer feijoada – era atirado no rio que passava nos fundos do quintal.
Uma vez tive que ajudar um primo a castrar um porco. Tinha onze anos de idade. O leitão ainda era pequeno, segurei-o com facilidade, curioso pelo que viria a seguir. Meu primo, três anos mais velho, simplesmente cortou fora os testículos do bicho. A seco. Em seguida, jogou gasolina na ferida para cauterizar.
Todo mundo com medo de uma gripe vinda de porcos, vista assim, parece justiça poética.
Ou será que é quando Willem Dafoe é devorado em Hannibal?
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Paguei ontem, segunda-feira, a décima segunda prestação do apartamento. Um ano inteiro atendendo pelo termo técnico de mutuário. Pelo contrato acordado com a Caixa, isso equivale a 3,33% do prazo acertado para quitar o financiamento. Quando terminar a dívida, terei vivido mais do que a média dos brasileiros hoje. O governo aposta em mim para uma vida longa.
Categories: Insanidade
Sexo e acidentes de carro
April 22, 2009 · 1 Comment
Em 1970, alguém do New Arts Laboratory, em Londres, me contactou para perguntar se eu gostaria de expor algo lá. Me ocorreu que poderia testar minha hipótese sobre os links inconscientes entre sexo e acidentes de carro. O Arts Lab me ofereceu a galeria por um mês. Eu dirigi por ferros-velhos no norte de Londres e paguei para que três carros, inclusive um Pontiac, fossem entregues na galeria.
Os carros foram expostos sem nenhum material gráfico de apoio, como se fossem grandes peças de escultura. Uma pessoa da TV, entusiasta do Arts Lab, ofereceu-me uma câmera e monitores nos quais os convidados podiam ver a si mesmos enquanto passeavam em volta. Eu sugeri que ele contratasse uma jovem para entrevistar o público a respeito de suas reações. Contactada por telefone, ele aceitou fazer o trabalho nua, mas quando ela viu os carros acidentados, me disse que só aceitava topless – uma resposta significativa, senti no mesmo momento.
Eu nunca vi os convidados de uma galeria ficarem bêbados tão rápido. Havia uma grande tensão no ar, como se alguém se sentisse ameaçado por um alarme interno que começou a soar. Ninguém teria notado os carros se estivessem estacionados na rua, mas sob as luzes invariáveis da galeria estes veículos danificados pareciam provocar e perturbar. Vinho foi espalhado sobre os carros, janelas foram quebradas, a garota de topless quase foi estuprada no banco de trás do Pontiac (foi o que ela alegou) (…). Uma jornalista do New Society começou a me entrevistar sobre o caos, mas estava tão agitada pela indignação, da qual o jornal tinha um suprimento inesgotável, que se restringiu a me atacar.
Durante o mês os carros foram incessantemente atacados, manchados com tinta branca por um grupo hare kishna e dilapidados para roubo de espelhos e placas. Quando foram rebocados, sem pesar, tinham sido confirmadas todas as minhas suspeitas a respeito das ligações inconscientes que minha novela podia explorar.
JG Ballard, que morreu no domingo, explica de onde vieram das idéias de Crash.
Categories: literatura
Tagged: Crash, JG Ballard
Singin´in the rain
April 17, 2009 · 1 Comment
Não sei se funciona mesmo, mas achei boa a idéia.
Categories: Internet
Rio, março, 2009
April 4, 2009 · Leave a Comment
O que ficou da viagem ao Rio.
Rum - A Lapa ficou cheia de gente, lotada de bares e mais segura. Já estava assim em 2007, mas estive lá na antevéspera do Natal, o que prejudicava bastante o fluxo de presentes. Agora descobri que muitos bares do lugar adotam a metalinguagem. São botecos cariocas que imitam botecos paulistas que imitam botecos cariocas. Mas a região está realmente muito melhor. E os bares mais antigos também estão lá, mantêm sua saudável e tradicional chinelagem, o que me levou, no sábado, duas semanas atrás, a percorrer mais ou menos metade deles em companhia de um amigo radical no assunto.
O leitor – Os sebos cariocas continuam os melhores. Encontrei A natureza morta e o pica-pau, de Tom Robbins, por oito reais. O Pirotécnico Zacarias, de Murilo Rubião, estava por dez reais na Marechal Floriano. O único exemplar que já encontrei, fora a edição nova. Na viagem de ida, o ônibus parou em um restaurante de São Paulo e na saída, no plástico, encontrei Verão em Baden Baden à venda por dez reais. Só li o de Rubião por enquanto.
Le Doberman – Mais ou menos a mesma coisa de sempre, mas é inegável: a cidade está melhor policiada. Pela primeira vez em muito tempo senti alguma sensação de segurança. Carros estacionados em alguns pontos de qualquer caminho e blitz a qualquer hora foram comuns estes dias. Desde janeiro a prefeitura promove um “choque de ordem”, prometendo combate a qualquer infração, de estacionamento a construção irregular. Durante minha permanência a semana até que estava tranqüila, aí de repente dez pessoas atingidas por balas perdidas em três dias. Operações na Ladeira dos Tabajaras e na Rocinha, tudo muito aproveitado por Wagner Montes, apresentador de um programa que dura metade da tarde na Record, pontuado por incríveis intervenções wagnerianas como “olhaí, usuário, o que você está cheirando” e “daqui a pouco mais do charme e da inteligência de… Wagner Montes”. Meus pais contaram que às vezes Wagner responde a provocações da técnica como “sua perna vai cair”, mas eu duvido. Deve ser alguma alucinação deles.
Medo e delírio - Uma série de reencontros com dezenas de amigos do passado, turmas diferentes, atividades diferentes. No Maracanã, minha presença foi fundamental para o Vasco derrubar dois anos de escrita e vencer o Flamengo por 2 a 0. Aguardo placa de agradecimento. O Maracanã está simplesmente excelente, exceto por uma corja de animais entre os torcedores. Os banheiros do estádio são realmente limpos. As arquibancadas agora têm cadeiras. Foi reformado há dois anos e ainda está em ótimas condições. Não houve brigas entre as torcidas do lado de dentro e, maior surpresa, 90% das músicas das organizadas agora tratam de louvar o amor ao time, não da intenção de agredir flamenguistas. O que não impediu impediu um torcedor de ser baleado perto do estádio. Na volta para casa, no metrô, guardas com cassetetes imensos nos cercaram e dividiram o trem em duas metades – na frente, apenas flamenguistas podiam entrar com a camisa do clube. Atrás, os vascaínos. Viagem tensa, mas sem transtornos.
All that jazz – Totalmente desnecessário ainda falar do Radiohead. E foi bom o Kraftwerk, o que é estranho, pois se tratava de apenas três caras parados mexendo em máquinas. Estranhamente, funcionou. Los Hermanos, não vi. Na segunda, teve Liza Minelli, que, segundo a resenha que li ontem no avião, precisou fazer um intervalo de 20 minutos para tomar fôlego. Nesta quinta tinha o A-ha.
Fome de viver – A cada volta ao Rio encontro uma moda gastronômica enchendo a cidade de lojas.Um tempo atrás eram lojas de pão de queijo com vários sabores e mate. Depois começaram as casas de empada. Agora notei uma quantidade inexplicável de lanchonetes que oferecem yaksoba. Outro fato a registrar, uma exposição ufanista no Centro Cultural Banco do Brasil, oportunidade para ver uns Portinaris e uns Di Cavalcantis. A moda da cerveja artesanal ainda não parece ter chegado maciçamente aos bares, como em Porto Alegre. Por último, o já citado sarau.
O vingador do futuro - Também aproveitei um dia a mais antes da volta para conversar com amigos jornalistas e visitar o jornal onde trabalhava e saber como está sendo vista de dentro a mudança nos jornais. Não sei bem se isso é uma desvantagem ou não, mas o pessoal é bem menos estressado por descobrir novidades do que a maioria das pessoas que eu conheço. Não é que não percebam que o mundo está mudando, mas são cautelosos. O Twitter só se estabeleceu mesmo a partir do pouso do avião em Nova York. Ainda assim, na redação, a maioria não tem. Com algumas transformações, o jornalismo impresso é esencialmente o mesmo de antes.
Categories: Uncategorized
Shadow Show
April 1, 2009 · Leave a Comment
Depois de um tempo, começou a fazer apenas aquilo que achava certo.
Tornou-se um acumulado de atos previsíveis e determinados pela moralidade. Um homem movido por convições. A certeza de que tinham razão as mulheres, os amigos - todos – por considerá-lo aquilo que mais detestava ser: era mesmo “confiável”.
Começou a ver o mundo como se estivese vivendo dentro de um cubo de vidro.
Categories: Shadow show

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