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Entries from March 2009

Vá bocejar

March 30, 2009 · Leave a Comment

O filme, experimental, se chama Reflexos de uma noite mal dormida. A música tem o mesmo título do post e foi feita enquanto se editava o filme, sem saber o que tinha sido filmado.

Existe coisa mais ridícula do que dizer “Esse cantando sou eu”?

Outras músicas do PTM aqui.

Categories: Música
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Permanência

March 30, 2009 · Leave a Comment

Dormia e sonhava todas as noites com elevadores.
Agora não dorme mais.

Categories: Shadow show

Vida imaginária

March 28, 2009 · Leave a Comment

Categories: Insanidade
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Como bancar o bobo no Rio de Janeiro.

March 23, 2009 · Leave a Comment

Aos seis minutos e trinta e nove segundos.

Ler qualquer coisa em público é um suplício para mim. Desta vez foi pior. Na platéia, estava Luis Fernando Verissimo. Mas não gaguejei e ainda aproveitei para um justo agradecimento. Quando criança, às vezes passava dias na casa de dois tios, idosos, na Penha, onde não havia muito (= nada) para uma criança se distrair. Mas em um nicho no quarto, atrás de uma cortina, havia duas pilhas de antigas revistas de domingo do Jornal do Brasil.

Não me interessava bem pelas revistas, mas pelas últimas páginas. Os textos eram quase sempre engraçados, muito diferentes de qualquer crônica que saía no jornal. Eu lia, relia, relia, relia a cada visita as mesmas crônicas. Salvaram alguns dias que de outro modo seriam um tédio completo.

Foi legal dizer isso a ele. Ao voltar ao meu lugar, fiz uma reverência, que LFV pensou ser um cumprimento e aí ficamos em um impasse. Mas foi rápido e depois me dei conta. Ainda bem. A última coisa que ia querer era fazer ele também bancar o bobo.

Categories: Rio

Murilo Franz Rubião Kafka

March 22, 2009 · Leave a Comment

Sempre aceitei a literatura como uma maldição. Poucos momentos de satisfação ela me deu. Somente quando estou criando uma história sinto prazer. Depois é essa tremenda luta com a palavra, é revirar o texto, elaborar e reelaborar, ir para a frente, voltar. Rasgar.

Achei uma estranha entrevista com Murilo Rubião – não tem perguntas, só  respostas – no prefácio de O pirotécnico Zacarias. Ao contrário do que esperava, mesmo que o livro tenha vendido mais de 100 mil exemplares nos anos 70, é extremamente difícil de achar. Tem apenas 50 páginas e dez contos.

Ele conta ter ouvido falar de Kafka pela primeira vez apenas quando o primeiro livro já estava escrito. Não nega a semelhança e acha que o tcheco, como ele, foi influenciado pelo Velho Testamento.

Categories: literatura

March 22, 2009 · Leave a Comment

rocha

Categories: Música
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Nick Hornby faria disso um livro ruim

March 21, 2009 · Leave a Comment

Alguns amigos de infância ainda são realmente amigos. De vez em quando converso pela internet com um amigo de colégio e, de vez em quando, com um de faculdade. Aqueles que conheci em redações são em maior quantidade. Grandes amigos mesmo, que reencontro em cada visita ao Rio.

A amizade única se desenvolveu com o Everton. Fomos estagiários em jornais concorrentes e nos conhecemos na rua cobrindo matérias. Em vez de disputarmos, compartilhávamos informação. Era inconcebível um dar um furo no outro numa cobertura. A concorrência que fosse à merda.

Seria uma amizade um tanto convencional não fosse um fato que passou a nos guiar a partir do segundo ou terceiro Hollywood Rock, festival que aqui existiu até os anos 90. Cada um já era repórter e não nos encontrávamos mais na rua. Então, sem nenhuma combinação, por afinidade, a partir de certo ponto começamos a assistir shows juntos. Embora tivéssemos uma grande quantidade de amigos comuns, praticamente não nos víamos nunca se não fosse em um show. Namoradas às vezes nos acompanhavam, grupos às vezes nos acompanhavam, mas a constante era que nós dois sempre estávamos lá.

Houve anos em que, exceto numa noite de show, não nos vimos em nenhuma outra ocasião. Exceto pelo Nirvana, Smashing Pumpkins e Supergrass e The Cure (fui sozinho), durante anos assistimos a tudo de importante que passou pelo Rio. Rolling Stones (turnê Voodoo Lounge, quando eles ainda tinham algo a fazer em um palco), Alice in Chains, Red Hot Chilli Peppers, Robert Plant (duas vezes) e Jimmy Page, Black Crowes, Sepultura. E também a uma boa dezena de shows underground no Circo Voador antes do fechamento (massa que tenha sido reaberto, mas o outro era mais legal). Essa aparente distância nunca impediu que fôssemos realmente amigos. Um  conhecia o outro muito bem.

Para ver os Rolling Stones de perto, suportamos seis horas sem água ou cerveja com um calor insuportável, sem podermos nos mexer. Em um Tributo ao Doors, às quatro da manhã, durante um show do Planet Hemp (muito estranho eles tocando Break on Trough), um acarajé derrubou a ambos e acabamos dormindo na arquibancada do Circo.

A quantidade de shows ruins também é fenomenal: Jesus Jones, Spin Doctors, Rita Lee, Urge Overkill, EMF, Poison, Cidade Negra, Seal, Aerosmith, Barão Vermelho. O problema de festivais é que os shows passáveis sempre acontecem em maior quantidade.

Então, em 1996, o Hollywood Rock acabou. Meses depois a prefeitura fechou o Circo Voador. Nunca mais nos vimos. Em 1997 eu me mudava para Porto Alegre e assim até 2007 permanecemos sem nenhumna comunicação. Um dia, porém, um encontrou o outro pela internet. Depois das reminiscências de praxe, a combinação foi natural: o reencontro só poderia ser em um show. Um  mês atrás comprei o ingresso para o Radiohead.

Ontem à noite, depois de treze anos, os dois amigos estavam na Apoteose. Um tirou sarro dos cabelos brancos do outro, ambos estão mais velhos e diferentes, se deram relativamente bem no jornalismo. Falaram da vida, casamentos desfeitos, Porto Alegre, samba (ele virou quase um especialista), o destino dos conhecidos comuns. Mas quando o Kraftwerk começou a tocar, a sensação era de que nada disso aconteceu: ainda éramos os mesmos. Ainda estávamos em 93 ou 94.  Só vamos ficar velhos quando decidirmos ficar velhos. Nem um dia antes.

E para constar: Brokeback Mountain indie é o caralho.

Categories: Rio

E agora algo completamente diferente

March 21, 2009 · 1 Comment

Por que nas livrarias Cortázar está sempre na prateleira de autores brasileiros?

Categories: literatura

Morte

March 20, 2009 · 2 Comments

Às 20h14, menos de uma hora atrás, eu vi um sujeito morrer.

Tinha, sei lá, uns trinta anos. Morreu vestindo camisa branca e jeans. O alto de sua cabeça simplesmente foi destruído e eu fui a única testemunha. Estava em um ônibus, indo para a casa dos meus pais, por demais satisfeito por um dia em que todos os compromissos simplesmente deram certo a tempo de retirar amigos do trabalho por uns minutos na frente do jornal onde trabalhei.

Na volta para casa, estava na dúvida entre o metrô, ao meu lado, e o ônibus. Embora o ponto de ônibus fosse meio longe, optei por este, pois precisava passar em um lugar com internet antes de voltar para casa.

Folhevava um livro quando levantei os olhos um instante antes do estrondo. Primeiro vi o ônibus bater na traseira do Gol e jogá-lo em um poste. Em seguida, bater de novo e simplesmente estraçalhar todo o lado esquerdo do carro, levantando uma quantidade impressionante de fumaça e pedaços da lataria. O ônibus incrivelmente não reduziu a velocidade. Fugiu em disparada, tão veloz que não deu para ver sequer a linha. O próximo elemento foi o corpo, atirado para fora do carro. Morto.

Pânico entre os passageiros do ônibus onde eu estava, mas o motorista simplesmente ignorou o acidente. Foi embora, não quis parar para ajudar. Mais um que fugiu. Aos poucos, exceto por uma mulher ao meu lado, todos se acalmaram rápido demais para o que tinha acabado de acontecer. A mulher ao meu lado, sei lá como, logo depois culpava o Lula pela violência no trânsito no país. Discursava dizendo que todos devíamos ler O Globo.

Para meu próprio choque, a indiferença dos tempos de repórter aflorou naquele momento. Avisei a polícia, liguei para o jornal, mesmo que não trabalhe mais lá há longos 11 anos, passei as informações que tinha e segui para casa com a mesma sensação de muito tempo atrás – olhando toda a situação como um fato meio irreal, como algo que não tivesse acontecido, sem me deixar afetar. 

Nunca tive uma boa resposta para o porquê de nunca ter pensado em voltar a morar aqui, mas nestas horas é quando a resposta fica mais clara: fui embora para voltar a ser humano. Aqui estou programado para o pior. Quando estou aqui e algo ruim acontece não há nenhuma surpresa.

Esta frieza tem suas vantagens. Em Porto Alegre, passei por dois assaltos trash e agi com quase completa indiferença à situação. Mas não é algo que goste. É desumano, é frio.

O Rio é capaz de tirar o pior de mim.

Categories: Rio

Geografia para principiantes

March 18, 2009 · Leave a Comment

Um taxista tentou me convencer de que não há ônibus para onde eu queria ir, um grupo de adolescentes embarcou no meio do caminho e começou a cantar funk em voz alta, 90% das casas ou prédios da paisagem estão pichados e, finalmente, o ônibus desceu quase inteiro em um shopping center e a internet na lan house é lentíssima, mas o dono insiste que estou usando banda larga.

Onde mais eu posso estar senão no Rio?

Categories: Insanidade
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Merkley

March 17, 2009 · Leave a Comment

Categories: Metafísica
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Manual Gabinete Dentário de Datilografia

March 16, 2009 · 2 Comments

Esta é uma cena clássica de um filme de sessão da tarde.  Errado pra cachorro  é meu filme favorito de Jerry Lewis.

Tem uma outra cena clássica: o guarda de trânsito que é atingido por todos os objetos atirados pelo alto do prédio a cada tentativa de Jerry Lewis de se dar bem no emprego numa loja de departamentos da sogra.

Em inglês, se chama Who’s Minding the Store? Errado pra cachorro se deve ao fato de que no inicio do filme o personagem é tão atrapalhado que só consegue ser babá de cães. O tradutor certamente era um idiota.

Categories: comédia
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Dance, baby, dance

March 16, 2009 · Leave a Comment

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Foi um dos inventos que mais teve impacto na vida da pessoas comuns sem que se dê a devida consideração. Até sua invenção, em 1949, a fotografia caseira foi um hobby de ricos. Famílias posavam para fotos anuais. Já havia o fotojornalismo, mas basicamente fotografava-se eventos, não a vida. A Polaroid era mais ou menos barata e tinha um atrativo: as fotos eram reveladas em minutos graças ao filme instantâneo.

O filme instantâneo, vi há pouco em um documentário, foi uma obsessão do inventor, Edwin Land. Ele tinha uma fábrica de produtos óticos. Achou que dava para fazer uma câmera cujas fotos ficariam prontas na hora, sem necessidade de esperar a revelação do filme. O processo de polarizar a luz no filme, fazendo a revelação surgir aos poucos diante dos olhos, deu o nome à Polaroid.

As pessoas compraram milhões de máquinas e começaram a fotografar umas às outras. Estavam inventados os álbuns de família. O mundo passou a ser registrado em infinitos aspectos.

Fotos Polaroid são minhas favoritas. As imagens são meio fantasmagóricas – não que aquelas de outras feitas em filmes 126 fossem muito melhores.  Não parecem a realidade, puramente interpretação. As pessoas às vezes se tornam excessivamente pálidas.

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Aqui no Brasil nunca pegou direito. Era cara e perdeu a competição para as máquinas caseiras de filmes. Nos Estados Unidos, foi um fenômeno até as câmeras digitais. Tinha quinze mil empregados em 1994. Há meses a imprensa americana abre espaço a lamentos pelo fim das Polaroids. A empresa anunciou no ano passado que não vai mais produzir as câmeras e nem o filme instantâneo.

É dos fatos que atordoam pelas mudanças em curso desde que o mundo passou a se tornar digital. Os jornais impressos estão morrendo, a indústria musical já morreu e se recusa a aceitar, assim como também começa a agonizar a cinematográfica do tamanho que é hoje. O fim da Polaroid é um detalhe saudosista. Câmeras digitais e celulares completaram o que a Polaroid começou. Milhares de vezes mais pessoas se fotografam. Imagens que numa certa proporção vão se tornar acessíveis.

dance-31Sem Polaroids, não haveria Dance Lessons, sensacional álbum de fotos do Square America, fornecedor da imagem  do cabeçalho do blog.

A última vez em que tirei uma Polaroid foi em 1997. Há muitos anos não vejo a foto.

Categories: Fotografia
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Quem sabe como fazer o amor permanecer?

March 15, 2009 · Leave a Comment

Diga ao amor que você está indo ao Junior’s Deli na Flatbush Avenue no Brooklyn buscar um cheesecake e se o amor permanecer, pode ficar com a metade.

Diga ao amor que você quer dele uma lembrança e obtenha uma mecha de seus cabelos. Queime o cabelo em um queimador de incenso do tamanho de uma moeda de um centavo com um símbolo de yin/yang nos três lados. Fale rápido sobre queimar cabelos em uma linguagem convincentemente exótica. Remova as cinzas do cabelo queimado e pinte um bigode no seu rosto. Encontre seu amor. Diga que você é alguém novo. O amor irá ficar.

Acorde-o no meio da noite. Diga-lhe que o mundo está em chamas. Abra a  janela do quarto e mije para o lado de fora. Casualmente, retorne à cama e assegure ao amor que tudo vai ficar bem.  Caia no sono. O amor vai estar lá pela manhã.

TOM ROBBINS – A natureza morta e o pica-pau.

(Já publiquei isso muito tempo atrás. Continuo achando perfeito)

Categories: Trechos
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Breve história de um americano morto

March 14, 2009 · Leave a Comment

Acordou, vestiu-se de Coringa, apontou uma arma para a polícia e morreu.

Categories: Metafísica
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