Entries from February 2009
February 26, 2009 · Leave a Comment
It does seem to me that massive tactical superiority might be a key to the superhero phenomenon. That, if it’s a military situation, then you’ve got carpet bombing from altitude, which is kind of the equivalent of having come from Krypton as a baby and to have gained unusual strength and the ability to fly because of Earth’s lesser gravity. I don’t know, that may be a simplistic interpretation, but that’s the way I tend to see superheroes today.
(Alan Moore – Wired)
Categories: Quadrinhos
Allen, Woody
February 24, 2009 · Leave a Comment
Uma breve e boa entrevista de Woody Allen muito mais jovem seguida de alguns minutos do primeiro filme dele, O que há, Tigresa?
Woody Allen foi contratado para simplesmente produzir uma versão dublada em inglês do filme japonês International Secret Police: Key of Keys. Em vez disso, redublou a história, criando uma nova trama que não tem nada a ver com a original e inserindo a si mesmo e a John Sebastian (do Love Spoonful e que toca gaita de boca em Roadhouse blues, dos Doors) no elenco. Uma história de espionagem tornou-se uma bizarra busca pela melhor receita de salada de ovo.
Categories: Uncategorized
Orwell não tinha medo do colesterol
February 22, 2009 · 1 Comment
13.1
Dois ovos (135 desde 26.10.38.)
12.1
Três ovos.
11.1
Um ovo.
9.1
Dois ovos. Vi um grande bando de green plover (um parente distante do martim pescador), aparentemente o mesmo que na Inglaterra. Claras, as tardes são razoavelmente quentes.
8.1
Três ovos.
Enquanto fazia apontamentos, George Orwell também registrou a quantidade de ovos ingeridos em seus diários, agora publicados como blog. Os posts vão ao ar nos dias exatos em que foram escritos, setenta anos atrás. Na média, eram dois ovos por dia.
Dica do Gallas, que não tem um blog e, pelo que sei, nem um diário.
Categories: literatura
Eu + cerveja + madrugada + insônia
February 20, 2009 · Leave a Comment
Duas músicas da gravação na cozinha do apartamento com um violão folk e um microfone podre de computador enquanto tentava aprender a usar o Vegas entre uma e três da manhã desta quinta-feira. A terceira foi gravada em setembro de 2008 para o filme Reflexos de uma noite mal dormida. Há anos guardava o nome Tommy Martin para um projeto pessoal.
Felizmente, nenhum vizinho reclamou do barulho.
Categories: Música
Tudo o que você queria saber sobre Alexandre Rodrigues e tinha vergonha de perguntar
February 16, 2009 · 7 Comments
Há alguns dias amigos fazem listas sobre si mesmos no Facebook. Embora seja meio boba, era domingo, meu braço finalmente parou de doer e estava feliz de poder usar computador de novo.
Se tivesse feito a mesma lista cinco anos atrás não colocaria metade do que está aqui. Provavelmente daqui a cinco anos metade não estará.
(Fato não explicado: por que 25? Dado a analisar mais adiante: como dezenas de pessoas conscientes e de bom discernimento sucumbem tão docilmente a uma bobagem criada por uma rede social).
1- Só sou consumista com livros, nada mais. Tenho a melhor biblioteca entre as pessoas que conheço. Tenho praticamente todos os livros que sempre quis ter.
2 – Tenho medo de morrer de câncer.
3 – De Echo & The Bunnymen e Jesus and Mary Chain em 87 a White Stripes e Arcade Fire em 2005, vi todos os shows que valiam a pena ter visto, exceto o do Pixies em Curitiba. Só falta Leonard Cohen.
4 – Aprendi violão, piano, xilofone e theremin sozinho.
5 – Gosto de literatura fantástica, mas se alguém usar a expressão “literatura fantástica” perto de mim leva um peteleco na testa.
6 – Se tivesse conhecido Kurt Vonnegut, teria me abraçado aos joelhos dele e dito “obrigado, obrigado…”
7 – Fico melhor imberbe, mas já tive uma barba de mais de um palmo.
8 – A única vez em que chorei por causa de um filme foi vendo Cocoon.
9 – A única vez em que chorei por causa de um livro foi com Os meninos da Rua Paulo. Chorei quando tinha doze anos. Ano passado, com a edição da Cosac & Naify nas mãos, reli a morte de Nemecsec e chorei de novo. Mas acho que foi porque não posso mais ter doze anos.
10 – Prefiro toda a vida navios a aviões. Olhar da amurada a chegada a um porto causa uma bela sensação. Avião perde a graça depois da quarta ou quinta viagem.
11 – Nunca disse eu te amo sem que fosse verdade.
12 – Tento agir como um cavalheiro mesmo quando não consigo.
13 – Todas as mudanças mais significativas da minha vida eram completamente inimagináveis seis meses antes.
14 – Já falei com Paul McCartney e Paul McCartney falou comigo.
15 – Quando era repórter no Rio, vi tantas pessoas assassinadas e de tantas maneiras que isso removeu parte da minha humanidade. Quando quero, posso me desligar e não me importar com nada e nem com ninguém. A minha luta eterna é para não ser mais assim.
16 – Tenho por princípio sempre falar a verdade.
17 – Sou capaz de qualquer bobagem, qualquer ato, por amor. E apenas por amor.
18 – Estou dez anos atrasado. Perdi dez anos da minha vida trabalhando feito um alucinado e construindo uma carreira dos vinte aos trinta. Aos trinta, joguei minha carreira fora, me mudei para Porto Alegre e vivi tudo que tinha que viver aos vinte. Agora vivo o que tinha de viver aos trinta.
19 – A priori, prefiro gatos a humanos. Mas viver com gatos e humanos é bem melhor.
20 – Tinha certeza de que seria loser, sozinho e pobre em poucos anos. Não aconteceu e agora não sei mais nada.
21 – Sou capaz de amar um livro ou a obra de um escritor com quase a mesma intensidade com que amei qualquer mulher.
22 – Sou tão tímido que me torno um alucinado. Em 90% das vezes em que beijei uma mulher pela primeira vez foi no momento mais impróprio, simplesmente porque não tinha mais o que dizer ou fazer.
23 – Fico totalmente desconcertado diante de uma mulher muito bonita.
24 – Há algum tempo descobri que não são perfeitos, mas tenho os amigos que sempre quis ter. E me sinto privilegiado por tê-los.
25 – Duas coisas essenciais para se dizer depois da minha morte: não foi um cínico, nem superficial.
Categories: Ego
Love # 10
February 13, 2009 · Leave a Comment
- Você quer que eu tire a roupa agora?
- Agora não. Espera um pouco. Quer beber algo?
- Um gim tônica.
- Um gim tônica saindo.
- Bonito o teu apê.
- É. Deu trabalho. Não foi sempre assim.
- Não?
- Já viu o filme O Clube da Luta?
- Como é?
- Dois caras. Um vive no luxo, um apartamento como esse. Cada móvel, cada objeto, parece definitivo, não importa o que aconteça e etc. Um dia alguém explode esse belo apartamento e o dono sifudeu. Tem que morar em um lugar caindo aos pedaços com o outro. Já vivi como cada um dos dois.
- Tiro a roupa?
- Ainda não.
- Tô sacando.
- O quê?
- Você é advogado.
- Não.
- Economista ou alguma coisa com finanças.
- Não.
- Publicitário, contador/contabilista, empresário de qualquer ramo, rentista…
- Rentista?
- É alguém que vive de renda. Aprendi a palavra com um ex. Um dicionarista.
- Engraçado.
- É?
- Não. Nenhuma das opções.
- Então diz (tiro a roupa?)
- (Não). Poeta.
- Faz poesia.
- Escrevo poemas por dinheiro.
- Quem paga por isso?
- Muita gente. Agora mesmo estou preso em uma ode para um rede de supermercados. Está completando 50 anos. Também tem as bodas e formaturas. Mas o que mais faço é poema de amor. Da mulher para o marido. Do marido para a mulher. Ou, mais comum: para (o) a amante.
- Faz um pra mim?
- Não dá.
- Eu pago. Fica de graça por hoje.
- Você teria que voltar aqui muitas outra vezes.
- Escuta só: Felizes e alegres nós já vamos trabalhar/ Nosso chefe é nosso pai/ Nossa loja é nosso lar.
- O que é isso?
- O hino de uma empresa. Os funcionários tinham que cantar todo início de expediente. Aprendi numa novela. Faz muito tempo. Tiro a roupa afinal de contas?
- Hum, só mais um pouco.
- Eles cantavam e é só.
- Eu não canto.
- Como faz quando a poesia vira música?
- Outros cantam por mim.
- Perde a melhor parte.
- Cantar?
- É.
- É… É.
- Posso perguntar uma coisa?
- Pode. Várias.
- Você leu todos esses livros?
- Quase todos. Alguns eu compro, mas não leio.
- Você já amou? (tiro a roupa, porra?)
- Essa é mais uma pergunta (já disse que não, caralho).
- Você disse várias.
- Já.
- Já ficou apaixonado? Quantas vezes?
- Três. As três foram mais felizes longe de mim.
- Você é uma pessoa triste.
- Não sou não.
- Posso tirar a roupa?
- Pode. Mas devagar.
Categories: Love #
Dor…de novo
February 11, 2009 · 1 Comment
Duas semanas atrás, acordei com uma dor embaixo do ombro. Era forte o bastante para ser um incômodo. Mas não tão forte como veio a ficar nos dias seguintes. Quatro dias depois, acordei com meia bola de rugby na altura das costelas. Quer dizer, um inchaço do tamanho de meia bola de rugby. A dor espalhava-se em todas as direções. Incomodava mesmo. Foi quando passei aos remédios. Mas aí uma reação alérgica à pomada que estava passando no local encheu minhas costas de pontinhos vermelhos. Os pontinhos coçam. É, coçam.
Nada muito diferente dos últimos sete anos, quando a tendinite começou. De vez em quando acontece. Mudanças de tempo passaram a ser precedidas de pontadas de dor desagradáveis. Qualquer esforço intenso resulta em alguns dias com o braço dormente, mas como não acontecia há muito tempo, estava me acostumando à idéia de que não iria acontecer mais. Chato e inesperado o fato de que por uma semana (previsão do médico) vou precisar de braços alheios para escrever.
Então este post foi escrito graças à caridade da Carol, que também escreve neste blog, que é engraçado e eu leio sempre.
Categories: Insanidade
Mr. Darcy, tem um zumbi atrás do senhor
February 2, 2009 · 1 Comment
Murilo Rubião só escreveu trinta e três contos, dos quais nunca tinha lido um sequer até ontem à tarde. Tenho essas implicâncias do nada. Durante anos, ouvindo M-U-R-I-L-O R-U-B-I-Ã-O, não gostava do nome. Imaginava uma obra totalmente mineira (essa coisa de reminiscências da infância ou gente bruta falando um português incompreensível ou o sujeito acanhado que se muda para o Rio e gosta de escrever sobre um beija-flor na praça ou o mar à tardinha) para o meu gosto. Nem tinha curiosidade de ver do que se tratava realmente. Não podia estar mais errado.
Ontem um link me levou a este conto. Procurando na internet, também achei este e este. Ainda que alguns idiotas insistam em definir Rubião como precursor do “realismo mágico”, essa praga latino-americana, é muito mais interessante. A comparação com Cortázar não é injusta. Também não o seria com Kafka.
Ao longo de décadas, escreveu e reescreveu os mesmos contos, mudando finais com frequência. O pirotécnico Zacarias, um de seus livros, vendeu 100 mil exemplares. Só espero os sebos (hoje é feriado em Porto Alegre) para amanhã sair atrás de um exemplar.
***
A primeira reação, vendo o link, foi gritar “PIADA”, mas aqui está o The Guardian para confirmar: existe mesmo Pride and Prejudice and Zombies.
Categories: literatura


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