Cristiânia é formalmente um subúrbio de Copenhague. Até 1971 havia uma base militar no local. Foi desativada. Então os hippies e anarquistas chegaram. Ocuparam o lugar para protestar contra o governo, estabeleceram um auto-governo e não foram mais embora. Estima-se que agora há 850 habitantes vivendo parcialmente sob as próprias regras. Em Cristiânia, obviamente, é tolerada a maconha – assim como as outras drogas, menos do que já foi. Os imóveis não têm dono, não há aluguéis e nem polícia. Carros são proibidos. Desde 2001, no entanto, Copenhague deixou de tolerar seu bairro mais pitoresco. O ano marca a chegada ao poder do conservador Partido do Povo Dinamarquês, que estabeleceu uma política antidrogas e, assim, se voltou contra a Cidade Livre (Fristaden em dinamarquês).
O governo entrou numa batalha contra os invasores para retomar propriedades depois de mais de trinta anos. A desocupação de prédios levou aos distúrbios desta semana. Vestidos de negro, os moradores enfrentaram a polícia com bombas. A venda de drogas, que era feita sem violência nas ruas de Cristiânia, migrou para os arredores de Copenhague, onde, obviamente, ocorre atualmente uma guerra de quadrilhas pelo novo comércio.
Claro, o hippismo presente em toda a questão pressupõe um pesadelo de lugar como um Fórum Social Mundial permanente e que antes da batalha um dos lados ouviu Buffalo Soldier, mas, Deus do céu, se os caras se aguentaram TRINTA ANOS sem violência e com um índice de crimes ridículo, por que criar um problema só porque o governo é de direita? Nem em um lugar onde a educação é de graça até o doutorado é capaz de surgir uma política antidrogas inteligente.
Não ia escrever sobre nada disso. Vendo na BBC as imagens de Cristiânia, pensei em Fome, livro de Knut Hamsun que se passa numa Cristiânia. Achava que era a mesma, mas descobri que Cristiânia também é o antigo nome de Oslo. Hamsun era norueguês. E usava pince-nez.







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