gabinetedentario.org

Entries from October 2008

O fim da cidade livre

October 31, 2008 · 3 Comments

Cristiânia é formalmente um subúrbio de Copenhague. Até 1971 havia uma base militar no local. Foi desativada. Então os hippies e anarquistas chegaram. Ocuparam o lugar para protestar contra o governo, estabeleceram um auto-governo e não foram mais embora. Estima-se que agora há 850 habitantes vivendo parcialmente sob as próprias regras. Em Cristiânia, obviamente, é tolerada a maconha – assim como as outras drogas, menos do que já foi. Os imóveis não têm dono, não há aluguéis e nem polícia. Carros são proibidos. Desde 2001, no entanto, Copenhague deixou de tolerar seu bairro mais pitoresco. O ano marca a chegada ao poder do conservador Partido do Povo Dinamarquês, que estabeleceu uma política antidrogas e, assim, se voltou contra a Cidade Livre (Fristaden em dinamarquês).

O governo entrou numa batalha contra os invasores para retomar propriedades depois de mais de trinta anos. A desocupação de prédios levou aos distúrbios desta semana. Vestidos de negro, os moradores enfrentaram a polícia com bombas. A venda de drogas, que era feita sem violência nas ruas de Cristiânia, migrou para os arredores de Copenhague, onde, obviamente, ocorre atualmente uma guerra de quadrilhas pelo novo comércio.

Claro, o hippismo presente em toda a questão pressupõe um pesadelo de lugar como um Fórum Social Mundial permanente e que antes da batalha um dos lados ouviu Buffalo Soldier, mas, Deus do céu, se os caras se aguentaram TRINTA ANOS sem violência e com um índice de crimes ridículo, por que criar um problema só porque o governo é de direita? Nem em um lugar onde a educação é de graça até o doutorado é capaz de surgir uma política antidrogas inteligente.

Não ia escrever sobre nada disso. Vendo na BBC as imagens de Cristiânia, pensei em Fome, livro de Knut Hamsun que se passa numa Cristiânia. Achava que era a mesma, mas descobri que Cristiânia também é o antigo nome de Oslo. Hamsun era norueguês. E usava pince-nez.

Categories: Insanidade

Como arruinar uma infância – parte I

October 30, 2008 · Leave a Comment

Olhando fotos de Eugênio Recuenco, fotógrafo espanhol de moda, a imagem que me veio à cabeça não foi dos filmes de Tim Burton, com quem ele vem sendo muito comparado, mas de O soldadinho de chumbo, que li infinitas vezes na infância. Foi o primeiro livro que li na vida – com cinco anos – e, embora no início não compreendesse todas as palavras, a história me marcou e, principalmente, o medo que tinha dos personagens.

As ilustrações do livro de Hans Christian Andersen não eram nada infantis ou singelas, mas sombrias e assustadoras. O homenzinho que não gosta do soldado era uma mistura de demônio e arlequim, sempre com um sorriso diabólico. O coração de chumbo derretido no fim da história não era apenas da cor cinzento clara, tinha também pedaços das roupas do soldado. O próprio casal não era propriamente belo, com as maçãs do rosto sempre rosadas demais e os lábios com batom criando caretas. Junte-se a isso o fato de o soldado ser perneta. Ele, o menino, a empregada, os cenários, todos pareciam fazer parte de uma versão bizarra do mundo, não de uma história de fadas.

Além de tudo, havia a morte e a vitória do mal. Comparado a Pinóquio e O patinho feio (mais um de Andersen), outros hits da infância, ninguém ressuscita por pelo menos ter tentado ou se torna o mais belo de todos. O final não é moral e nem feliz. É trágico. Um assassinato e um suicídio. O bem, o amor, nada prevalece senão a inevitabilidade. É o mais próximo da vida que uma história infantil já chegou.

Categories: Fotografia · Livros

O que você está vestindo?

October 29, 2008 · 2 Comments

Não lembro mais quem estava ao lado naquela tarde e me indicou Vox, de Nicholson Baker, abandonado em um balaio da Feira do Livro. Todo ano um livro misteriosamente aparece em promoção ao mesmo tempo em vários balaios. Dois anos atrás foi Mao II, de Don DeLilllo. Outro ano foi Cock & Bull, de Will Self , e em outro, Fear and loathing in Las Vegas numa antiga tradução em que se chama Las Vegas na cabeça. Vox estava à venda por algo como 2 reais, uma edição lacrada ainda por cima, de modo que foi uma compra indolor mesmo que não viesse a lê-lo. Mas também não foi uma compra interessada, de modo que o livro ficou guardado por seis ou sete anos até sair, anteontem, do plástico pela primeira vez. Seja quem for que estava comigo naquela tarde, valeu.

E todas as músicas de que ele gostava eram do tipo que vão sumindo no final ou pelo menos a maioria. Daí eu virei especialista em músicas que vão sumindo em vez de acabar. Comprei as fitas. Ligava o som alto, com os fones nos ouvidos, e ficava escutando com toda atenção, tentando achar o momento exato em que a pessoa no estúdio de gravação tinha começado a baixar o volume, seja lá como eles faziam isso. Às vezes eu tentava ficar aumentando o volume na mesma velocidade em que ele, ou melhor, em que a mão fantasma do produtor do disco ia baixando, para manter o volume de som sempre no mesmo nível. Eu entrava numa espécie de transe, como acontece com você no tapete, e achava que se fosse aumentando sempre o volume – e o meu amplificador é muito potente – a música nunca iria acabar, iria continuar indefinidamente. E assim o que antes eu considerava um tipo de descuido artístico, essa tentativa de criar uma certa impressão – é isso aí, somos capazes de ficar improvisando a noite inteira, mas o babaca do produtor acaba baixando o volume só para não deixar a gente não ocupar o disco inteiro com uma canção gigante – virou pra mim a soma de todas as esperanças“.

Categories: Livros

Welcome to the Fight Club

October 27, 2008 · Leave a Comment

Nada é estático. Tudo é movimento. E tudo está desmoronando.

(Tyler Durden)

Impossível não pensar no final de Clube da Luta depois das previsões de Nouriel Roubini.

Em setembro de 2006, Roubini fez um discurso no FMI prevendo em detalhes toda a crise atual. Com as bolsas quebrando recorde atrás de recorde e dinheiro sobrando pelo mundo, os presentes ao discurso riram dele, mas quando voltou ao mesmo FMI para novo discurso, em setembro de 2007, ninguém mais estava rindo.

Agora as previsões de Roubini são as seguintes: os bancos vão mesmo quebrar, mas a última medida desesperada será impedir que os clientes saquem seu dinheiro das contas. A recessão pode virar uma depressão mundial e ainda nem começou a próxima crise – das empresas de cartão de crédito, por causa do calote dos americanos falidos e endividados, e dos fundos hedge – que compram empresas em vez de títulos. Seguradoras serão as próximas e tudo isso junto vai estraçalhar o sistema de crédito do comércio e da indústria – a vida real. As bolsas terão que ser fechadas por duas semanas antes que as ações passem a não valer mais nada.

É essa parte dos cartões que lembra Chuck Palaniuhk. No fim de O Clube da Luta, são as empresas de cartão de crédito que Tyler Durden explode para acabar com o capitalimo – a civilização junto. Dez anos depois, o mundo se arrisca a testar se é assim mesmo.

Categories: Capitalismo · Economia

Frase genial da semana

October 25, 2008 · 1 Comment

“Wall Street frequentemente parece uma pessoa de olhos vendados procurando em um armário escuro um par de sapatos pretos que não está lá”.

Jason Zweig no Wall Street Journal.

Categories: Economia

Paul Hari Seldon Krugman

October 22, 2008 · Leave a Comment

De maneira inesperada, o nobel de Paul Krugman lava a alma dos fãs, como eu, de ficção científica. Tudo por causa do seguinte trecho da entrevista ao canal americano PBS depois do prêmio:

Jim Lehrer: Em primeiro lugar, quando e por que você decidiu se tornar colunista?

Krugman: É um pouco embaraçoso. Eu não sei quantos de seus espectadores lêem ficção científica, mas há uma velha série de Isaac Asimov – a trilogia Fundação – na qual cientistas sociais que entendem a verdadeira dinâmica da civilização a salvam. Era isso que eu queria ser, mas isso não existe. Mas economia é o mais perto do que se pode chegar. Então desde a adolescência estou nessa”.

De fato, não foi uma grande revelação. Krugman contou a mesma história em um artigo bem interessante de março deste ano no New York Times sobre ficção científica econômica. Me chamou atenção que nós dois tenhamos um dia sido fascinados pela mesma idéia: a psicohistória.

Fundação é uma longa trilogia a respeito de como a psicohistória, ciência que mistura matemática, política, história e economia, salvou seguidas vezes o mesmo império. O teorema criado por Hari Seldon, um cientista, se antecipa ao colapso da civilização, preservando-a até a próxima crise. A matemática, aplicada às outras ciências, indica as correções e estímulos necessários para evitar o fim do Império.

Muito tempo atrás, uns 15 anos pelo menos, li a edição brasileira de Fundação, que condensa em um só volume os três originais. É um livro empolgante no início, que fica meio chato pelo meio e melhora no final. Não gosto muito de Asimov. Assim como em Philip K. Dick, muitas boas idéias, mas um escritor limitado – regra válida, é verdade, para o grosso dos autores do gênero. Fundação, porém, é acima da média.

Categories: literatura

October 18, 2008 · Leave a Comment

Well, I draw XKCD, a webcomic about stick figures who do math, play with staple guns, mess around on the Internet, and have lots of sex. It’s about three-fourths autobiographical. I used to work at NASA in Virginia. It was nothing glamorous; I was just tasked with making code compile for obscure projects, and I wasn’t very good at it. Now I spend most of my time drawing pictures and looking at funny things on the Internet, which in retrospect is largely what I did at my old job, too.

(Randall Munroe para a New Yorker).

Gracias, Pellizzari.

Categories: Quadrinhos

Os Massa

October 17, 2008 · Leave a Comment

Finalmente online a discografia da maior banda do país (uns 15 integrantes, segundo o último censo). Está no ar o site da Suma! Discos com os primeiros para baixar. Além da gravação de Corpus Christi, estão para download as Demos Pop 1 e 2 e também Desgraçados do Ritmo, além do “satânico” 666 e o disco “de Deus” 777.  O Diego também disponibilizou os discos dele, que valem muito a pena.

Categories: Música

Manual do perfeito idiota de classe média

October 12, 2008 · 2 Comments

Primeiro ele trabalhou e poupou uma certa quantia pensando numa emergência ou no futuro. Para render mais, pôs o dinheiro na renda fixa, ganhando por anos um bom rendimento, pois a taxa de juros no Brasil estava na alturas, uma das maiores do mundo, etc.

Mas com o passar dos anos começou a ficar incomodado ao ver que a taxa de juros, que estava nas alturas no primeiro ano do governo Lula, andava pela metade. Descontado o imposto de renda, era quase o mesmo do que a poupança. Começou a achar que estava perdendo dinheiro, mesmo que isso não fosse verdade.

Para completar, passando em frente à banca, viu as capas das revistas anunciando que a bolsa de valores era o melhor investimento. Na hora do jantar, o Jornal Nacional noticiava sucessivos recordes da Bovespa. Também havia aquele chato no trabalho que comprou ações da Petrobras com o FGTS e agora contava vantagem. Se torturava com a sensação de que os outros estavam ganhando muito dinheiro, mas ele não.

Foi até o banco e, com certo orgulho, entrou em um fundo de ações. A cada mês, os números saltavam e logo tirava em semanas o lucro de meses e em meses, o rendimento de anos. Tentou convencer os amigos. Mesmo exibindo quase nenhum conhecimento sobre como funcionam as bolsas, seus lucros serviam de autoridade moral. Debochava de quem alertava para os riscos ou avisava que investimento em bolsa nunca deve ser feito de uma vez e sim aos poucos. Com aquela valorização, quem poderia desmenti-lo?

Chegaram as primeiras turbulências e ele chegou a se assustar, mas ali estavam aqueles ex-ministros e aquele ex-presidente do Banco Central na TV para tranquilizá-lo. Garantiam que a queda era normal. O momento era de comprar mais. De tanto ouvir o clichê de que em chinês há uma mesma palavra para crise e oportunidade, pôs mais dinheiro na bolsa para reforçar seu portfólio.

Agora anda deprimido. Suas ações passaram a valer menos da metade e mesmo que os ex-ministros e o ex-presidente do BC ainda estejam na TV o tempo todo, não presta mais atenção neles. A gota d´água foi passar diante da  banca e ver todas as revistas dizendo que a bolsa vai cair. Foi ao banco, vendeu tudo com grande prejuízo e, revoltado, passou a reclamar que a bolsa é um cassino e só serve para os tubarões levarem o dinheiro dos pequenos investidores. Jura que aprendeu a lição e nunca mais fará nada assim.

Mas não é para sempre. Daqui a alguns anos vai passar diante da banca de jornais e, vendo nas capas de revistas que a bolsa está subindo sem parar, não resistirá à vontade de ir ao banco e…

Categories: Capitalismo · Economia

Hang the Dow Jones, hang the Dow Jones, hang the Dow Jones

October 10, 2008 · 1 Comment

O hino da crise financeira.

O melhor é que a brincadeira, hoje de manhã, coincidiu com o fato de que o Firpo ganhou um DVD de um show dos Smiths em 83 e, assim, ensejou a formação de uma banda de amigos para tocar covers daquela que, duas décadas depois sou obrigado a admitir, foi realmente a melhor banda dos anos 80 e não Echo & The Bunnymen ou Pixies, como eu jurava na época*.

Smiths envelheceram com dignidade.

Sábios tempos em que roqueiros eram criaturas incômodas a ponto de um deles ter sido xingado pela primeira-ministra inglesa e respondido com uma obra-prima.

* Jesus & Mary Chain é hours concours.

Categories: Música

Outra vez a metafísica

October 8, 2008 · Leave a Comment

I

Quando penso em egolatria, acabo sempre em Roberto Marinho. Roberto Marinho criou uma fundação enquanto era presidente da Globo e pôs nela o próprio nome. Não um nome genérico ou uma homenagem a um parente – o mais normal. O dele mesmo. Por mais de duas décadas os dois – a fundação e Roberto Marinho – existiram ao mesmo tempo. Jamais, pelo menos publicamente, houve arrependimento. Eis um homem que tinha a si mesmo em grande conta. De vez em quando me pego pensando em como foi que anunciou tudo.

- Então está certo. A Rede Globo vai ter uma fundação. E quanto ao nome?

- Que tal Fundação Madre Teresa de Calcutá?

- Mahatma Ghandi!

- Não sei. Andei pensando em Fundação Roberto Marinho.

- Magnífico!

- O senhor é um gênio, doutor Roberto!

- Parabéns, chefinho.

- Não consigo imaginar um nome melhor.

- Nossa, estou até excitado!

Claro, é um fato menor diante da lembrança de que Bon Jovi batizou não apenas a própria banda como o primeiro disco com seu nome.

********

II

Por que será que sempre perco as tampas de adoçante?

Categories: Filosofia

Político é tudo…

October 5, 2008 · Leave a Comment

Aqui e nos Estados Unidos.

Trecho do editorial do Estadão de ontem sobre o pacote de ajuda aos bancos ter sido aprovado pelo Congressos norte-americano:

“O novo pacote incluiu também reduções de impostos para empresas, um incentivo fiscal para produção de filmes nos Estados Unidos e medidas para empregadores estimularem o uso de bicicleta por funcionários, além de outros presentinhos. Foi mais um projeto convertido em árvore de Natal. Na quarta-feira, o texto foi aprovado com grande folga pelos senadores, por 74 votos a 25″.

O mundo derretendo e os senadores encontraram tempo para discutir o futuro do cinema americano? Não. Lobby. Quem exigiu um artigo assim sabia que naquele momento até uma lei que mudasse o nome de Washington para Stalintown iria ser aprovada se estivesse dentro do pacote de ajuda.

Não há muita diferença entre o Senado americano e a Câmara de Porto Alegre, afinal. São espaços divididos entre os pusilânimes e os irrelevantes. Político brasileiro não é pior que os outros. Todos são políticos.

Uma boa explicação para os mercados continuarem caindo depois da aprovação do pacote, desconcertando analistas (haha) e especialistas (hahahahahaha), é essa: não bastava ter que lidar com Bush, Paulson e Bernanke, todos muito abaixo da capacidade de lidar com essa crise. Não bastava ver a Presidência  americana transformada em um cargo decorativo no meio da pior crise financeira em décadas – até o próximo presidente tomar posse o cargo de fato é do secretário Henry Paulson.

Esta semana, descobriu-se que o sistema está e vai continuar – se os 700 bilhões não bastarem – nas mãos de políticos que vêem o mundo pegar fogo, mas dizem “Ok, já que todo mundo pode ficar pobre eu vou votar a favor dessa lei aí, da economia e dos empregos, mas veja bem: exijo um orelhão na minha rua”.

Categories: Mondo

Tempos modernos – III

October 3, 2008 · Leave a Comment

– Já estávamos ficando bastante íntimos quando ele disse “Eu já disse que inventei meu próprio instrumento musical?”

– Está no meu apartamento. Fica aqui perto – ele disse a seguir. Fomos até lá. Logo que chegamos me deixou na sala e foi até o quarto.

– Mas quando voltou, o instrumento não passava de uma flauta de madeira pintada de azul. Estava escrito “Delixombone” nela.

- As mulheres não fazem os homens passarem por idiotas. A maior parte deles faz isso por si mesmo*.

* Essa é uma frase feminista bem verdadeira.


Categories: Tempos modernos

DFW, mais uma vez

October 2, 2008 · 1 Comment

Suicide is indeed a savage god. As Al Alvarez writes, “Once a man decides to take his own life he enters a shut off, impregnable, but wholly convincing world”

Focus on the work, not the writer’s life

Numa onda meio avassaladora a ponto de provocar algumas ironias necessárias, a importância de David Foster Wallace vai sendo rapidamente estabelecida. De escritor meio esquisito, prolixo e verborrágico – denominações bastante encontráveis anteriormente –, agora é o mais criativo de sua geração, um autor brilhante e atormentado, etc. Tudo bem se não fosse o inevitável: DFW está virando o novo Kurt Cobain, o novo ídolo do pessoal que confunde literatura com vida pessoal, um clichê de artista atormentado incapaz de lidar com a complexidade de ser quem era. Um efeito disso é que DFW será lido. Mais do que jamais foi. Mas ele foi mais do que “o cara que se matou”. Foi um escritor realmente estranho, ególatra, verborrágico e genial por transformar isso tudo em excelente literatura.

Outro exagero é da imprensa. The Guardian transformou em artigo um discurso de DFW, que, pelo anunciado, deveria dar algumas pistas sobre o suicídio. É um grande exemplo da onipotência de certo jornalismo, que se acha capaz de “explicar” qualquer coisa, até o inexplicável.

Mas, fora os exageros, é justa a comoção. Foster Wallace agora se situa dentro da literatura muito superior ao lugar onde estava antes. E entre todas as homenagens aquela incomparavelmete a melhor é da Playboy, que colocou em seu site o primeiro conto de Foster Wallace, Late Night, publicado pela revista em 1987.  O brilhantismo e exagero da escrita já estão presentes nesta história de uma mulher que vai ao programa de David Letterman.

Mais do que qualquer resenha, crítica, culto ou post, o melhor jeito de se conhecer um escrior.

Categories: literatura

Luzes da cidade – II

October 1, 2008 · Leave a Comment

Renato continua a viver com um homem equilibrado em sua cabeça.

Já tentou se comunicar com ele sobre praticamente todos os assuntos que domina. De metafísica e o Campeonato Brasileiro a receitas de bolo de cenoura, mas o outro sempre o ignora. Não consegue mais conviver com o silêncio. Com a imutável solidão.

Como vingança, vai ao cinema apenas nos filmes que já viu. Sempre conta o final em voz alta.

Categories: Luzes da cidade