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Entries from July 2008

Made in China

July 30, 2008 · Leave a Comment

Passou no GNT o primeiro episódio de The fake trade, escrito e dirigido por Nick Hornby. O documentário mostra algumas partes do que está por trás da pirataria de produtos no mundo. Gostei principalmente do formato, claramente inspirado na forma de narrativa surgida com a internet.

A história rastreia redes de pirataria em algumas etapas, mas a cada vez em que surge um personagem ou caso interessante, como se fossem hiperlinks, pára um pouco e conta aquela história. Não é uma graaande novidade, mas por certo diferente do roteiro tradicional de documentário.

Conclusão do programa: a China é a causa e a solução de todos os problemas. Por oferecer mão-de-obra extremamente barata, impulsionou a explosão de vendas das grandes marcas no mundo. Ao mesmo tempo é onde estão os melhores falsificadores.

Categories: Mondo corporativo

Por que ainda ter um blog em 2008?

July 28, 2008 · Leave a Comment

Buscas mais recentes para este endereço:

- Arte metafísica em português.

- Desenho de um pato jogando sinuca.

Categories: Metafísica

July 27, 2008 · 2 Comments

Categories: Insanidade

Dias com o pai

July 25, 2008 · 1 Comment

Um ensaio de Philip Toledano com o próprio pai.

Em 2006, a mãe de Toledano morreu de repente e, reencontrando-o no velório, ele constatou, chocado, que a memória de curto prazo do pai desaparecera. Pouco a pouco descobriu os efeitos da degeneração. Não lembrava – por exemplo – da morte da mulher e, sabendo-a, repetidamente passou pelo mesmo sofrimento até o momento em que o filho desistiu de contar a verdade.

Completou 98 anos em março.

Já tinha achado excelentes as fotos de Toledano no ensaio Videogamers. Estas são belas e tristes.

Categories: Fotografia

Muito prazer, Franz Kafka

July 24, 2008 · Leave a Comment

Da moita de arbustos na margem oposta saíram quatro homens nus caminhando com decisão e levando nos ombros uma liteira de madeira. Nela estava sentado, à moda oriental, um homem monstruosamente gordo. Ao passar através da moita por um caminho nunca antes trilhado, ele não procurou afastar os galhos espinhosos, simplesmente deixando que seu corpo imóvel fosse abrindo caminho. Suas pregas de gordura eram tão cuidadosamente disribuídas que, embora cobrissem toda a liteira, chegando mesmo a pender dos lados como a bainha do tapete amarelado, não o incomodavam. A cabeça calva era pequena e tina um brilho amarelo. No rosto, a expressão natural de um homem imerso em pensamentos e que não faz nenhum esforço para esconder esse fato.

Algumas horas atrás, lendo o conto Descrição de uma luta, me deparei com esse trecho, que achei tão absurdo e bem escrito que desde então, repetidamente, volto para lê-lo de novo e isso está me prejudicando, pois parando o tempo todo para ler a mesma coisa, ainda faltam páginas demais para o fim.

E este texto, tão genial e engraçado, é só o primeiro que ele escreveu.

Categories: literatura

Geografia da mente para principiantes

July 23, 2008 · 6 Comments

“Ele foi demitido do Observer durante a eleição geral de 1997 por alegadamente usar heroína no banheiro do jato do primeiro-ministro. Bastante hipócrita, admitiu: “`Sou um vendido que consegue emprego porque uso drogas´”.

The Guardian explica Will Self.

Categories: literatura

Como escrever uma canção e outros mistérios

July 22, 2008 · 2 Comments

Boa a idéia do Measure for measure, blog coletivo de músicos no New York Times. Além de Andrew Bird, citado alguns posts abaixo, também tem entre os autores Suzanne Vega. Os textos discutem o processo de composição. Às vezes ficam meio herméticos ou tratam de discussões que só podem interessar a músicos, mas no geral contam o que eles acham de música – ou como música deve ser, o que no fim revela que as dúvidas são quase sempre as mesmas, não importando fatores como o sucesso/fracasso.

Categories: Música

Martin Amis

July 20, 2008 · Leave a Comment

Dois livros dele em seguida. Por causa de outro – Água pesada e outros contos – e também daquela matéria sobre os terroristas do 11/9 que saiu traduzida na Piauí (bastante criticada, mas gostei) e de uma resenha antiga no New York Times sobre 1985, de Anthony Burgess, fiquei com uma boa impressão que não perdura nestes dois – Trem noturno e A seta do tempo. Ele escreve realmente bem, é irônico e tem um humor cruel e cortante, mas os dois livros em questão são muito fracos.

A Seta do tempo parte da idéia de contar a história de trás para a frente, porém demora pelo menos meio livro até o leitor se dar conta do que acontece. Os diálogos, mais radicalmente ao inverso, funcionam pelo menos, mas não compensam o fato de que personagens e enredo são meio desinteressantes. A ação é confusa. No fim, alguns trechos muito bem escritos e outros frouxos – nada mais.

Trem noturno decepciona ainda mais. Amis, ao contrário de seus outros livros, geralmente passados em Londres ou na Inglaterra, situa a história numa grande e violenta cidade fictícia dos Estados Unidos onde a morte de uma jovem, filha de seu ex-chefe, leva uma policial a tentar de todas as formas rejeitar a hipótese de suicídio para procurar um culpado. Exceto por uma breve reflexão a respeito da influência de O poderoso chefão sobre o comportamento dos bandidos de verdade (começaram a agir com honra quando antes não fazia isso), nada a lembrar, nem a elogiar. Realmente fraco.

Há paralelos claros – nas virtudes e nos vícios – entre a carreira de Burgess e Amis. Burgess sempre foi acusado de publicar livos demais e com isso não trabalhá-los até o ponto de refletir todo o seu potencial. Não deu bola para isso e continuou publicando – às vezes obras-primas, às vezes lixo absoluto. Ambos se tornaram personalidades políticas, muito além do mundo literário. Em Burgess, isso foi um charme. Sua mania de percorrer a Europa de carro enfrentando críticos e debatedores na TV refletia uma literatura que, como o autor, se preocupava em afrontar. Amis segue o mesmo caminho. Mas não se trata só de querer ser como Burgess. É preciso escrever como ele e nisso Amis, pelo menos até agora, falha clamorosamente.

Categories: literatura

São Paulo é das cidades onde consigo viver

July 18, 2008 · 2 Comments

Terça voltei a São Paulo depois de nove anos. Estranho que tenha se passado tanto tempo e uma pena ter ficado apenas algumas horas, mas a viagem, mesmo curta, valeu a pena. Há muito não viajava de dia ou com o céu tão claro. A visão de cima dos cânions do Rio Grande do Sul ou dos contornos de Florianópolis é impressionante mesmo depois de muitas vezes. O pouso em Congonhas foi a mesma tensão de sempre, você olha e não entende como pode haver tantas decolagens e pousos em um aeroporto tão sitiado. Aí observa aquele vazio à direita cercado de tapumes onde o avião da TAM explodiu e engole em seco.

Mas o vôo não teve problemas tanto na ida quanto na volta e foi a primeira vez em muito tempo que isso aconteceu – sem turbulências, sem precisar arremeter ou ficar sobrevoando a cidade por uma hora à espera da vez de pousar quase sem combustível. Minha calma não foi abalada nem mesmo pelo fato do cara que iria viajar ao meu lado ter desistido na sala de embarque e resolvido ficar. Enquanto o avião decolava, claro, imaginei as entrevistas dele no dia seguinte se houvesse um acidente. Mas foi tudo bem.

Tenho má vontade com qualquer cidade onde eu não esteja, exceto Buenos Aires. Quando distante, faço de tudo para não ir. Quando lá estou. não tenho vontade de voltar. Sempre foi assim quando morava no Rio e vinha a Porto Alegre e depois morando em Porto Alegre e voltando ao Rio. Com relação a São Paulo, visitei a cidade na base de uma vez por mês em 95 e 96, depois voltei uma vez para assistir a uma final do Campeonato Brasileiro, uma para uma entrevista e nunca mais. Tinha esquecido de como gostava antes de alguns lugares (bares e lojas). Agora não deu tempo de ver se ainda estão lá.

Caminhei um pouco na Paulista e depois foi um longo compromisso, uma cerveja no fim da tarde e o aeroporto de novo. Queria ter ficado um pouco mais. No fim, São Paulo é das cidades onde consigo viver.

Categories: Insanidade

Tom Tole

July 18, 2008 · Leave a Comment

Categories: Insanidade

The mysterious production of eggs

July 16, 2008 · 2 Comments

The record I want to make here and now — the one I wish I could find in my local record store — is a gentle, lulling, polyrhythmic, minimalist yet warm tapestry of acoustic instruments. No solos, just interlocking parts. A little Steve Reich, but groovier. A little Ghanaian street music, but more arranged. Thick and creamy vocals like the Zombies’s Colin Blunstone. The bass warm and tubby like Studio One dub.

A Sabrina descobriu essa maravilha: Andrew Bird tem um blog. Conta bastante sobre como está sendo a gravação do próximo disco e logo no texto inicial fala do disco que tem o mesmo título deste post e que descobri ano passado e desde então às vezes passo um dia inteiro ouvindo no repeat.

Categories: Música

Darwin Awards

July 15, 2008 · Leave a Comment

Categories: Insanidade

Blob

July 12, 2008 · 1 Comment

The young woman who walked into Pinnacle’s Vienna office in 2004 said her boyfriend wanted to buy a house near Annapolis. (…) On the day of the settlement, she arrived alone. Her boyfriend was on a business trip, she said, but she had his power of attorney. Informed that for this kind of loan he would have to sign in person, she broke into tears: Her boyfriend actually had been serving a jail term. Not a problem. Almost anyone could borrow hundreds of thousands of dollars for a house in those wild days. Connelly agreed to send the paperwork to the courthouse where the boyfriend had a hearing. As it happened, he was freed that day. Still, Connelly said, “that was one of mine that goes down in the annals of the strange.”

Ótima até não mais poder essa série The bubble, do Washington Post, sobre a crise imobiliária americana.

Categories: Mondo

Hoje, 10 de julho de 2008

July 10, 2008 · Leave a Comment

No Muffuleta (República, 657), Paulo Scott e Fábio Zimbres lançam hoje a décima sétima edição do Na Tábua, com os os escritores convidados Sergio Mello e Fernanda D`Umbra.

Vou participar do evento lendo um conto meu, o primeiro do livro. Prevejo suores e terror noturno no futuro por causa disso. Também participam Fabricio Carpinejar, Gilson Vargas, Wander Wildner, Ana Paula de Freitass, Marcelo Ferla, Ariela Boaventura, Júlia Viegas e quem mais aparecer.

Às 21h. Mais detalhes no blog do Scott.

Sobre o livro, havia um sendo furiosamente revisado nas semanas em que o blog ficou fora do ar. Uma versão ficou pronta em dezembro, mas ao longo dos últimos meses contos foram retirados e novos enfiados no lugar. A maior parte do material é antiga, foi escrita entre 2002 e 2005, e um terço mais ou menos desde fevereiro deste ano. Quis que houvesse novos para não ser simplesmente um livro de contos. Há uma certa unidade e no final a sensação de segurá-lo ao revisar uma versão impressa proporcionou um momento bom.

Chama-se Love # 1, subtítulo do segundo conto do livro. Há também um Love # 3 e, se levá-la adiante, a idéia é de que vá existir um livro dentro dos livros, com as histórias que iniciam com Love # tendo uma unidade própria.

É isso. Um livro. Veja só…

Categories: literatura

Serendipicidade para principiantes

July 7, 2008 · Leave a Comment

Arquimedes, um grego acima do peso, gosta de tomar banhos de banheira.

Categories: Metafísica