rodrigues acha que sua cafeteira está se tornando filosófica. por isso a máquina nunca mais fez café direito. quando tenta preparar um expresso, no meio do processo, envolvida em algum beco sem saída aristotélico, questionando alguma dimensão metafísica, investigando a existência à sua volta, a cafeteira prende a respiração. tal iniciativa é um péssimo negócio no caso de um aparelho para café. depois de prender a respiração, a cafeteira solta o ar de uma vez, espalhando pó negro à sua volta. rodrigues a tudo olha meio desanimado. se serve do pouco de café que ainda resta no copo da cafeteira. tenta evitar que o pó do fundo escorra para dentro da xícara. sorve o primeiro gole e faz uma careta. está frio.
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