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Entries from September 2007

September 30, 2007 · 3 Comments

Greil Marcus disse uns anos atrás que Dead man´s curve é, para ele, a melhor música pop já feita. Citava, para justificar a afirmação, o desencontro geral que é a canção: a letra trágica unida à melodia alegre e o vocal definitivamente melancólico. Foi um turning point no rock´n´roll, cujas letras até 1965, quando foi gravada, em geral eram festivas ou inocentes.

Some-se a isso o fato de Jan Berry, da dupla Jan & Dean, que gravou Dead man´s curve, ter morrido de um acidente de carro um ano depois.

Para Marcus, com o passar dos anos a imagem foi ficando cada vez mais trágica. Uma corrida de carro por Los Angeles que inclui a passagem pela Schwab’s, a drugstore que aparece no filme Crepúsculo dos Deuses. Por fim, a morte.

É mesmo desconcertante.

I was cruisin’ in my Stingray late one night,
When an XKE pulled up on the right
He rolled down the window of his shiny new Jag,
And challenged me then and there to a drag
I said “You’re on buddy — my mill’s running fine,
Let’s come off the line now at Sunset and Vine
But I’ll go you one better, if you’ve got the nerve,
Let’s race all the way — to Dead Man’s Curve”
(Dead Man’s Curve) is no place to play
(Dead Man’s Curve) you’d best keep away
(Dead Man’s Curve) I can hear ‘em say:
“Won’t come back from Dead Man’s Curve”

The street was deserted late Friday night;
We were buggin’ each other while we sat out the light
We both popped the clutch when the light turned green,
You shoulda heard the whine from my screamin’ machine!
I flew past La Brea, Schwab’s and Crescent Heights,
And all the Jag could see were my six taillights
He passed me at Doheny then I started to swerve,
But I pulled her out and there we were – at Dead Man’s Curve

(Dead Man’s Curve) is no place to play
(Dead Man’s Curve… [sounds of skids and crashes] )

(Spoken): “Well, the last thing I remember, Doc,
I started to swerve
And then I saw the Jag slide into the curve
I know I’ll never forget that horrible sight,
I guess I found out for myself that everyone was right”
Won’t come back from Dead Man’s Curve…

(Dead Man’s Curve) is no place to play
(Dead Man’s Curve) you’d best keep away
(Dead Man’s Curve) I can hear ‘em say:
“Won’t come back from Dead Man’s Curve”

(Dead Man’s Curve) is no place to play
(Dead Man’s Curve) you’d best keep away
(Dead Man’s Curve) I can hear ‘em say:
“Won’t come back from Dead Man’s Curve”

Categories: Música

Anões

September 29, 2007 · Leave a Comment

Fiquei sozinho, sem a mulher que eu amava loucamente, sem Sabrina que estava enterrada no Caju e sem o único amigo que eu tinha no mundo que era o anão morto dentro da mala e a noite caiu e como eu não tinha mais o retrato dela para olhar fiquei olhando a mala até o dia raiar, quando então peguei a mala e fiquei andando com ela na sala de um lado para o outro.
O Anão, Rubem Fonseca

Anão, anão, anão,
Que agonia, que tormento!
Enquanto geme e se estica
Pensa consigo mesmo:
“Tamanho não é documento”
Livros de Bokonon, Kurt Vonnegut

Agora que Trout morava em Cohoes, a única pessoa a quem ele chamava pelo nome era Durley Heath, um anão londrino de cabeça vermelha. Trabalhava numa oficina de conserto de sapatos. Na sua banca de trabalho, Heath tinha uma placa com o seu nome, como a dos presidentes de firmas, para o caso de alguém querer se dirigir a ele assim.
De vez em quando Trout ia à oficina e falava coisas mais ou menos assim: – Quem é que vai ganhar o campeonato este ano, Durley? – ou – Sabe que barulho de sirenes era aquele ontem à noite, Durley – ou então – Você está muito bem hoje, Durley – onde é que arranjou essa camisa? – E assim por diante.
Almoço dos campeões, Kurt Vonnegut

Veja você, há vinte e quatro horas atrás, nós estávamos sentados no Hotel Beverly Hills, no terraço, é claro, e estávamos sentados debaixo de uma palmeira, quando um anão uniformizado se aproximou de mim com um telefone rosa-choque e disse: “Deve ser o telefonema que o senhor está esperando esse tempo todo”.
Medo e delírio em Las Vegas, Hunter S. Thompson

Categories: Palavras

Galvão Bueno

September 26, 2007 · 1 Comment

- Aquele lá.

- O que tem?

- É o Galvão Bueno.

- Quem?

- O Galvão Bueno. O cara da Globo.

- Da Globo?

- É. Não tá reconhecendo?

- Não. O que ele faz lá?

- É locutor.

- Locutor?

- Vai ficar repetindo tudo o que eu digo? É locutor. Vamos lá falar com ele. Galvão!

- Quem?

- Você é o Galvão Bueno, não é não?

- O Galvão Bueno? O que é isso? Eu…

- Não mente. É o Galvão Bueno.

- Mas claro que não! Eu nem me pareço com ele.

- Não precisa negar. Nós não viemos pedir nada. Nem autógrafo
queremos.

- Que bom, mas realmente…

- Não nega, Galvão Bueno.

- Sem querer ofender…

- Olha só: o Galvão Bueno me tirando para burro.

O homem tenta ir embora, mas o estranho corta a sua passagem, arrastando no movimento a mulher pelo braço.

- Não precisa fugir, Galvão Bueno.

- Cavalheiro, eu já disse: eu não sou o Galvão Bueno.

- É sim.

- Não sou.

- É.

- Não.

- Sim.

- Mas, por favor…

- Então confessa: você é o Galvão Bueno.

Tenta escapar de novo. O estranho é mais rápido, cortando seu caminho mais uma vez. Parado à frente, começa a gritar sem parar “Confessa, vai, Galvão”. Não entende direito o que acontece. Mas que absurdo é esse? Como podem confundi-lo logo com o Galvão Bueno? Nem são parecidos. Olha aflito para a mulher, ainda de mãos dadas com o estranho, mas ela dá de ombros e balança a cabeça, dando a entender que não é a primeira vez em que algo assim acontece.

Uma pequena multidão, atraída pelos gritos, já se formou em volta. A maioria ainda tenta se informar sobre o que está acontecendo.

- O que foi?

- O Galvão Bueno.

- Aquele ali?

Alguns, sabedores da razão do tumulto, concordam, é mesmo o Galvão Bueno. Outros não aceitam a explicação. De maneira nenhuma.

- Não se parece nada com o Galvão Bueno.

Nova discordância se instala, com grupos formados de parte a parte, prontos a discutir se é mesmo ou não o Galvão Bueno o homem que, envergonhado por ser alvo da atenção geral, tenta inutilmente avançar pela calçada com a pasta à frente do corpo como se fosse um guerreiro medieval. É o que recebe por ter resolvido matar a tarde no trabalho com uma desculpa qualquer. Estava a caminho da casa da amante, chamada Renata, cujo maior charme, acha ele, são as pintas no rosto. Mas então apareceu o chato que lhe agarra o pulso com a mesma ordem sem sentido.

- É só confessar. Você é o Galvão Bueno.

- Jamais!

Irritado, dá-lhe um safanão. O chato, atingido de surpresa, tropeça, bate numa vitrine de loja, finalmente cai. As pessoas em volta esquecem as diferenças, se voltam com expectativa para a cena, à espera da reação do homem estatelado no chão. O mesmo faz o outro, com a pasta na mão, já tentando se defender da surra que, imagina, certamente virá em represália. Nunca foi bom em brigar.

Ainda no chão, olha em volta com a expressão de mágoa e surpresa, porém depois abre um sorriso. Dá um tapa na testa, se vira para a mulher e diz:

- Que coisa, o Galvão Bueno me deu uma porrada.

Se levanta e limpa a poeira enquanto o outro foge correndo e a multidão se dispersa decepcionada. Na volta para casa e pelo resto da noite não há assunto que o deixe mais satisfeito.

Categories: Conto

O fim

September 23, 2007 · 1 Comment

O fim da comédia

Por volta das quatro da manhã, Jonas deixou de ter graça.

O fim do melodrama

Às sete e onze, pôs um terno cinza e foi trabalhar.

O fim da galhardia

Às oito e cinqüenta e oito, não cedeu o lugar no ônibus a uma mulher grávida.

O fim da unicidade

Durante o cafezinho, às dez e vinte e dois, imaginou como seria ter duas cabeças.

O fim da permanência

Às doze e vinte e sete, mastigando trinta e duas vezes a salada, decidiu não mais comer berinjela.

O fim do sublime

Meio sem querer, soltou, às quatorze e um, um flato no estofado da cadeira.

O fim da literatura

Às dezesseis em ponto, entre um livro e uma revista de palavras cruzadas, escolheu a segunda para matar o tempo no banheiro.

O fim da razão

Às seis e vinte e um, na fila do ônibus, gritou de repente:

- Albert Einstein!

Todos em volta o olharam com reprovação.

O fim da juventude

Às dezenove e quarenta e nove, notou como a barriga crescera.

O fim da modernidade

Quando o locutor do telejornal dava mais uma notícia ruim, às vinte e trinta e cinco, decidiu comprar uma bicicleta antiga, daquelas com uma roda imensa na frente.

O fim da poesia

Às vinte e uma e quarenta e sete, depois da última cena da novela, pulou de repente do sofá e quebrou a pauladas a televisão. Na tela, tudo virou faísca exceto um grande pedaço que continuou pendurado ao tubo de imagem e ainda exibia os resquícios de uma imagem que desaparecia aos poucos. O mocinho e a mocinha, congelados, se tornaram pequenos, pequenos, até que restou apenas um ponto luminoso, uma mera sombra de dois rostos perfeitos, na qual quem estivesse perto o bastante poderia ler:

FIM.

Categories: Conto

Idéias

September 21, 2007 · Leave a Comment

Kago não sabia que os seres humanos podiam ser atingidos tão facilmente por uma idéia como pela cólera ou pela peste bubônica. Na Terra não havia imunidade contra idéias cretinas.

E eis a razão, segundo Trout, pela qual os seres humanos não podiam rejeitar as idéias quando eram más: ‘Na Terra, as idéias eram distintivos de amizade ou inimizade. O seu conteúdo não importava. Os amigos concordavam com os amigos a fim de expressar amizade. Os inimigos discordavam dos inimigos a fim de expressar inimizade’.

Por centenas de milhares de anos as idéias dos terráqueos não importavam, pois eles não podiam fazer muito com elas. As idéias podiam ser distintivos de qualquer coisa.

Tinham até mesmo um dito sobre a futilidade das idéias: ‘Se os desejos fossem cavalos, os mendigos seriam cavaleiros’.

E então os terráqueos descobriram as ferramentas. Subitamente, concordar com os amigos podia ser uma forma de suicídio ou pior. Mas a concordância continuou, não por causa do bom senso de decência ou instinto de conservação, mas por amizade.

Os terráqueos continuaram praticando a amizade quando, em vez disso, deveriam pensar. E até quando construíram computadores para pensar um pouco por eles, não os planejaram tanto por sabedoria como por amizade. Assim, estavam condenados. Os mendigos homicidas seriam cavaleiros.

(Kurt Vonnegut – Breakfast of champions)

Categories: Palavras

O que há com Porto Alegre aos domingos?

September 16, 2007 · 2 Comments

Sou um sujeito de hábitos. Sempre que tenho que optar entre ir ao Bob´s ou ao McDonald´s , sei que este é um falso dilema. Farei a opção 1. Os sanduíches do Bob´s só pioraram ao longo de décadas, mas há uma certa resistência carioca dentro de mim que me obriga a algumas coisas.

Depois de comer no Bob´s, saí para uma caminhada do shopping Total, perto de casa, até o Moinhos de Vento. Pausa para um café expresso e para ver uns prédios que não conhecia (uma hora haverá uma coerente análise da chegada a Porto Alegre do movimento neoclássico pré-moldado de São Paulo) e como já eram quatro da tarde, decidi pelo milk shake de chocolate do Joe´s para encerrar as atividades. Com o copo na mão, mal me pus a caminho do lar e vem na minha direção um punk correndo. Outros homens vinham correndo atrás dele e gritando “pega ladrão”.

Finalmente um dos homens, de bicicleta, fecha o caminho do meliante. Tenta um golpe de caratê horroroso, mas o ladrão é meio miúdo e cai assim mesmo. Depois se levanta e entrega um ipod para o cara da bicicleta, que o manda ir embora. Quando o ladrão já passava na porta do Joe´s, sai de dentro desabalado um cara gordo imenso, que salta para uma tesoura voadora… e erra. Cai estatelado no chão. O ladrão recomeça a corrida.

Agora são dois caras e um ipod roubado, devolvido, mas sem dono. O que está na bicicleta e também segura o ipod, monta nela meio envergonhado e vai embora na direção da Cristóvão Colombo. Recomeço a caminhada e mais adiante, na esquina, aparecem mais dois sujeitos esbaforidos. Um dele grita “O meu ipod”.

Uma semana atrás, a mais ou menos duzentos metros, um pouco mais tarde, eu estava no ponto de ônibus e de repente vem na minha direção um adulto vestido de ursinho da Parmalat. Ao chegar perto, ele se ajoelhou e pediu um trocado. Um argentino.

Categories: Insanidade

September 16, 2007 · Leave a Comment

Uma das razões da mudança de endereço foi a possibilidade de criar outros blogs. A primeira cria está no ar em fase de testes. Evil Clown é e será um blog de vídeos. As atualizações serão as mais freqüentes possíveis. A princípio, não será lugar para escrever nada e naturalmente faz parte da grande idéia geral de que uma piada não é bem uma piada, razão da existência disso aqui, desse blog e tudo mais. E agora chega de egolatria por um tempo.

Categories: Mondo corporativo

A arte de domar crianças

September 11, 2007 · 2 Comments

Não vejo caminho para enlouquecer mais rápido do que o escolhido por Hans Fenger na escola Langley, na Colúmbia Britânica, Canadá. The Langley Schools Music Project é o resultado das gravações que Fenger, professor de música, fez com o coro de crianças da escola em 1976 e 1977 interpretando versões para Beach Boys, Bowie e Paul McCartney, entre outros. As gravações não foram feitas para a venda em lojas e sim para que os pais levassem, orgulhosos, cópias para casa um vinil com a voz dos filhos. Assim, foram prensados 12 LPs. Os discos permaneceram quase desconhecidos até que as gravações foram descobertas nos anos 90 por um produtor e lançadas em CD. A idéia de coordenar dezenas de crianças para uma gravação já me parece assustadora o suficiente. É espantoso que Fenger, que compôs os arranjos, e as crianças tenham chegado à belíssima versão de I´m into something good, dos Herman´s Hermits, delicada, empolgante, melhor do que a original. O resto do disco tem seus momentos, mas não se iguala.

Categories: Música

Breve referência à ordem racional do Universo

September 10, 2007 · 1 Comment

Algumas coisas a dizer. Este blog NÃO deixou de fazer parte do Insanus e em breve voltará à capa. Só iniciou antes da hora mudança prevista para breve. Problemas técnicos deixaram insustentável o sistema de publicação insanímico (neologismo melhor que insanusense ou insanusano). Mas não haverá mais publicações em insanus.org/gabinetedentario, só aqui. Não mais mulhares nuas onipresentes. Queria dizer quem as desenhou, pois tinha um portfólio fenomenal, mas lamentavelmente o nome se perdeu desde 2003. O banner aí de cima pega emprestado um pedaço da foto chamada Who was next, do ótimo Square America.

Aquelas frases laterais mais para baixo na antiga caverna, a propósito, são “o meu relógio parou”, referência a “Acho que esse cara está morto ou meu relógio parou”, de Groucho Marx, e “Tanta filosofia por isto”, de Campos de Carvalho. Sim, eu gosto de piadas que só eu entendo. Não haverá transferência de arquivos de lá para cá. O passado não interessa.

Categories: Mondo corporativo

Ora, o pênis

September 8, 2007 · 1 Comment

Edson, 41 anos, corretor de imóveis, acordou na hora habitual, pulou da cama e se dirigiu sonolento ao banheiro, esfregando o rosto para sentir o arranhar da barba crescida na palma da mão. Escovou os dentes, examinou o fundo dos olhos e, depois de defecar, quando se desnudava para o banho matinal, notou que não tinha mais o pênis.

A grande coleção de bonequinhos de Carmelo, 26, webdesigner, cobria toda a mesa no cubículo do escritório. Bonequinhos de filmes, de desenhos, de personagens de quadrinhos e também os que eram apenas tolamente infantis. Carmelo virava um por um na sua direção, transformando-os numa multidão reverente, quando percebeu, quase no final da arrumação, que se esquecera de Space Ghost. A miniatura, alheia à nova ordem, continuava de costas para as demais. Ao esticar o braço para movê-lo, sentiu ao mesmo tempo o vazio na parte da frente da calça. Apalpou cauteloso o local só para descobrir que estava sem o pênis.

José, 61, jornalista de amenidades, ajeitou a folha de papel na única máquina de escrever ainda em atividade na imprensa, já que nunca se acostumou com os computadores. Gosta de ouvir o tec-tec na ponta dos dedos e de sentir o odor da tinta vermelho-preta, o que faz aproximando o nariz da fita da máquina. Começou a datilografar e seu corpo, inquieto, virou-se várias vezes na cadeira, procurando posição Ao cruzar as pernas, como se tivesse sido sempre assim, se deu conta de que não havia nada no lugar do pênis.

Menestrel, 47, compositor de sambas-enredo, casado há 22, ouviu com paciência a admoestação da mulher, que não entende sua mania de comer pão sem carregar um prato para recolher os farelos. Deixou Marisa emburrada e afundada numa poltrona da sala, foi até o armário no quarto dos fundos e tirou da prateleira o ventilador quebrado que tentava consertar todas as vezes em que brigava com com a mulher. Lutava mais uma vez para fazer o motor funcionar, equilibrando-se em um banquinho de madeira pequeno demais para o seu corpo, quando sentiu um intenso calor no meio das pernas. Faltava-lhe agora o pênis.

Aureliano, 39, coveiro, cavou um buraco tão fundo que quase não conseguiu sair de dentro dele. Depois da escalada até o topo e ainda por cima de ter que voltar, pois esquecera a pá no fundo da cova, limpou o suor dos olhos e espantou um pouco da terra nas mãos. Acendendo um cigarro, conferiu satisfeito o resultado do trabalho. O imenso buraco era simetricamente retangular. Exalava um cheiro agradável de terra úmida como se tivesse recém-chovido. Uma rajada de vento refrescou a tarde de primavera e um formigamento intenso na região do baixo ventre veio anunciar que seu pênis estava quatro vezes maior.

Categories: Conto

A vã filosofia

September 6, 2007 · Leave a Comment

rodrigues acha que sua cafeteira está se tornando filosófica. por isso a máquina nunca mais fez café direito. quando tenta preparar um expresso, no meio do processo, envolvida em algum beco sem saída aristotélico, questionando alguma dimensão metafísica, investigando a existência à sua volta, a cafeteira prende a respiração. tal iniciativa é um péssimo negócio no caso de um aparelho para café. depois de prender a respiração, a cafeteira solta o ar de uma vez, espalhando pó negro à sua volta. rodrigues a tudo olha meio desanimado. se serve do pouco de café que ainda resta no copo da cafeteira. tenta evitar que o pó do fundo escorra para dentro da xícara. sorve o primeiro gole e faz uma careta. está frio.

Categories: Conto