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November 25, 2009 · Leave a Comment

De novo uma parada. Devia estar incrivelmente magro. De tão encovados, os olhos pareciam querer entrar pela cabeça adentro. Tinha o ar do que? É o diabo, a gente ir se deixando desfigurar, vivo, unicamente por obra da fome. Senti a cólera invadir-me uma vez mais; era a última chama, o último espasmo. Valha-me Deus! mas que cara, hein? Era dotado de uma cabeça que não tinha igual no país; de dois punhos que, com seiscentos diabos! podiam esmagar e reduzir a pó de traque um estivador; pois apesar disso, em plena cidade de Cristiânia, jejuava a ponto de perder a figura humana! Então isso tinha sentido, isso se harmonizava com a ordem natural das coisas? Exigira tudo de mim, esfalfara-me dia e noite, como o burrinho a carregar o pastor, estudara a ponto de fazer os olhos me saltarem do crânio, jejuara a ponto de fazer a razão saltar-me do cérebro. E o que diabo recebia em troca? Até as meretrizes pediam a Deus que lhes poupasse a visão do meu rosto.

(FOME – Knut Hamsun).

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O fim da decadência

November 25, 2009 · Leave a Comment

E então ele comprou um terno.

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Os Massa

November 23, 2009 · Leave a Comment

Vem Delícia ao vivo.

Jekyll, Porto Alegre, 6 de setembro de 2005.

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Perfil egípcio

November 20, 2009 · Leave a Comment

Com Marcelino Freire, Joca Terron e Alan Sieber durante o De Modo Geral, ontem à noite. A foto é de Ivana Arruda Leite.

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Love # 29

November 11, 2009 · 1 Comment

estava sentado em um banco de madeira lendo uma revista de 1987 quando ela passou. em teoria, devia ser jovem demais para despertar sua atenção, que dividia com uma revista feminina de décadas atrás que não tinha certeza como fora parar em suas mãos. lia até então a respeito da nova mulher – de 1987 – e o que esperava dos homens de agora – aquele tempo – em diante. de acordo com o artigo, algumas cantadas deviam ser evitadas a qualquer custo. “e aí, tamos nessas carnes?” vinha em primeiro lugar. o fato de viver em um mundo onde um dia foi perfeitamente lógico que homens tenham raciocinado que dizer “e aí, tamos nessas carnes?” era a maneira mais efetiva de chegar à cama de uma mulher ou levar uma mulher para a sua cama, sem desprezar as camas ocasionais, que não eram nem de um e nem do outro, era reconfortante. um sinal de normalidade. de certa forma se sentia bastante encaixado no estado de coisas geral, nem um pouco imoral enquanto a seguia com o olhar pelo corredor. ela parou por um instante, curvou-se sobre o bebedouro. o tecido do jeans apertou-a na altura das coxas. o formato da bunda revelou-se por inteiro. deus do céu, precisava falar com ela!

*****

estava tocando blood on the tracks quando vera se levantou do computador e foi até a beira da  cama, onde ele fumava um cigarro. “precisamos conversar”, ela disse. ele já sabia do que se travava, respondeu “ok”, dando a deixa para ela começar. mas ela não começou. a necessidade de terminar com aquilo, ele se deu conta, o inferno pessoal no que se transformou aquela relação não bastava para olhá-lo nos olhos, para se despedir e ir embora, simplesmente. em um sofrimento compartilhado, o abandono era uma forma de traição. “acho que precisamos viajar”, disse apenas. ele respondeu perguntando: “precisamos?” ela respondeu: “é precisamos”. ele perguntou: “quando?” ela: “no próximo fim de semana”. ele: “no próximo fim de semana não posso. tenho que dar um seminário em caxias do sul”. ela: “porra, dá um jeito. que tal no outro?”  ele: ”no outro eu posso”. ela: “então no outro que seja. (em tom de leve desespero) não quero me separar”. ele: “também não”.  antes que começassem a chorar juntos ela pediu um cigarro, ele carinhosamente acionou o isqueiro e, inalando uma bela quantidade de fumaça, abafou suas ansiedades.

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Ninguém abre um livro como Pynchon

November 9, 2009 · Leave a Comment

Na véspera do Natal de 1955, Benny Profane, usando jeans preto, blusão de camurça, tênis e um chapelão de vaqueiro, passava casualmente por Norfolk, Virgínia. Dado a impulsos sentimentais, pensou em ir lançar uma olhada na Sailor´s Grave, seu velho boteco na East Main Stret. Chegou até lá passando pela Arcade, em cuja extremidade do lado de East Main sentava-se um velho cantor ambulante com um violão e uma lata vazia do lado, onde recolhia as doações. Na rua, um intendente da Marinha tentava urinar dentro de um tanque de gasolina de um Packard 54, cercado por cinco ou seis aprendizes de marinheiro que o encorajavam. O velho cantava com uma bela voz de barítono.

V.

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Cortázar se inspira

November 9, 2009 · 1 Comment

Liniers irretocável.

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Feira do Livro

November 4, 2009 · Leave a Comment

Sexta, dia 6, autografarei “Veja se você responde essa pergunta” na Feira do Livro. Será às 18h30.

Dia 19, lançamento em São Paulo, durante a Balada Literária. Também farei breve participação no De Modo Geral, evento organizado pelo Scott no Rio, que terá uma edição especial paulista.

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Um passo atrás, por favor

October 30, 2009 · 1 Comment

O convite foi tentador demais para dizer não: três meses no antigo emprego, abandonado em 1997, em um jornal no Rio. A matéria enviada como teste – para ver se as habilidades se mantinham – indicava o que iria fazer: era sobre a guerra no Morro dos Macacos. O melhor de tudo era que ambas as partes concordavam com os três meses.  Lá não havia vaga, aqui não a queria.

Durante uma semana começaram os preparativos. Como cuidar do apartamento e dos gatos. Contas a organizar. E as plantas na sacada, morrerão?

Nesta quarta, tudo mudou e o jornal resolveu que só poderia ir em definitivo. Apareceu uma vaga. Seis dias para decidir uma vida inteira e a mudança para mais de mil quilômetros de casa. Apesar da vontade suicida de sempre seguir em frente, tudo terminou com a sensação de uma aventura não-iniciada.

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Darwin nunca viu um calmúquio

October 19, 2009 · 1 Comment

A Calmúquia é um branco no mapa, explica Daniel Kalder sobre as razões de ter decidido visitar a república russa para escrever um livro. O branco reflete a sua importância: nenhuma. Nem mesmo na Rússia  se sabe muito daquele lugar ao sudeste, habitado por 300 mil descendentes dos mongóis e descendentes dos russos e ucranianos instalados pelo comunismo soviético após o inacreditável  exílio da população inteira do país, em 1943. Ficaram 14 anos fora e só voltaram em 1957.

Como se vive em um não-lugar? – é a pergunta de Kalder. Para comprar as passagens, teve primeiro que convencer um agente de viagens de que a Calmúquia realmente existe. Se o agente também fosse um enxadrista, talvez tivesse ouvido falar. Na capital, Elista, foi construído a luxuosa Cidade do Xadrez, uma aberração envidraçada e cara em um país pobre, onde aconteceram algumas das partidas mais importantes do xadrez internacional nos últimos anos. 

O presidente do país, Kirsan  Ilyumzhinov também dirige a Federação Internacional de Xadrez. Está poder desde 1995 e fez do xadrez disciplina nas escolas. Dirige uma república onde duas tribos mongóis ainda percorrem as estepes – de motocicleta -, a única da Europa onde o budismo é a religião oficial.

Lost Cosmonaut – o livro de Kalder – é absurdadamente engraçado. Das  observações e personagens às legendas  ( “o autor, com uma garrafa de leite, diante do Golden Gate, Elista”). Lugares como a Calmúquia, Tartistão e Mari El, a última nação pagã – também visitados -, são um mundo alienígena que justificam no visitante a sensação de ser um “cosmonauta perdido”. Estar neles é como estar fora do planeta por um tempo.

E Kalder é tão bizarro quanto as pessoas que encontra. Em certo ponto fica obcecado por encontrar o inventor do AK-47, Mikhail Kalashnikov. Em outro, permanece duas horas em um pé só no quarto de hotel só porque nenhum escritor de livros de turismo fez isso antes.

A visita a um templo budista em Elista acaba no encontro de uma raposa morta, saudado assim:

“Eu amo animais mortos e tenho uma coleção de pássaros, gatos, ratos, porcos, cães, etc, mortos. Este era um corpo relativamente fresco, de um dia ou dois. O pêlo perdera levemente a cor e seus olhos e boca estavam abertos como se tivesse morrido de um choque terrível. Agora havia um mistério: o que tinha acontecido ali? Como havia encontrado seu fim? E mais importante: como iria reencarnar?”

O antropólogo Kenneth Waltz escreveu em Introdução à Antropologia que os calmúquios nunca ficam ruborizados. Sobre eles, Kalder percebe um estranho hábito: encaram-no o tempo todo sem o menor constrangimento. Darwin, em Expressão das emoções dos homens e animais, duvidou de Waltz. Mas nunca foi à Calmúquia. O homem que ficou “vermelho de vergonha” no experimento citado por ele para provar que todos os humanos ficam mesmo ruborizados tampouco era um calmúquio. Na verdade, era um chinês.

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Slow wave

October 17, 2009 · Leave a Comment

Sou fã de Jesse Reklaw e de toda a idéia por trás do Slow Wave, um projeto em que ele escreve o roteiro e desenha uma tira com sonhos de pessoas enviados do mundo todo.

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Os Massa

October 17, 2009 · Leave a Comment

Mais um vídeo perdido do show na Redenção, agosto de 2009.

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Samba número 2

October 1, 2009 · Leave a Comment

Um samba sobre nada/ Para acabar a quinta-feira/ Pois na boca fechada/ Não entra mosca/ E não sai besteira.

140 vezes.

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Sambinha

September 24, 2009 · Leave a Comment

Ficou para morrer/ Ao ouvir ela dizer/ Que todo niilista/ É um emo sem saber

(140 vezes)

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Mundo perfeito

September 22, 2009 · Leave a Comment

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