“Our Internet intellectuals lack the intellectual ambition, and the basic erudition, to connect their thinking with earlier traditions of social and technological criticism. They desperately need to believe that their every thought is unprecedented. Sometimes it seems as if intellectual life doesn’t really thrill them at all. They never stoop to the lowly task of producing expansive and expository essays, where they could develop their ideas at length, by means of argument and learning, and fully engage with their critics. Instead they blog, and tweet, and consult, and give conference talks—modes of discourse that are mostly impervious to serious critique”.

Evgeny Morozov – The internet intellectual.

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Werner Herzog lê Cormac McCarthy

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John Lennon

As sessões com Phil Spector foram um pesadelo lendário. Phil queria todos os músicos presentes ao mesmo tempo, embora isso fosse ineficiente e os custos, exorbitantes. Spector, por sua vez, podia aparecer com horas de atraso chapado de nitrato de amila e usando disfarces, como um médico de avental um dia, um sensei de karatê no próximo, sempre com seu revólver à vista no coldre do quadril. As sessões se transformaram em festas afogadas em álcool e com os músicos apertando as mãos sem nada para fazer, fossem contratados para tocar ou ocasionais, incluindo Mick Jagger, Elton John e Joni Mitchell, com Warren Beatty (“Mais um dos troféus de Joni”, de acordo com John). Em uma das primeiras sessões, John ficou tão bêbado que agarrou o guitarrista Jesse Ed Davis e, depois de beijá-lo nos lábios, socou-o com tanta força que o deixou estendido no chão, John olhando para ele com nojo e chamando-o de bicha. Esta foi uma das cenas selvagens  nas sessões de Spector. Ele pediu desculpas aos amigos, para quem ligou no dia seguinte, explicando: “Foi um sonho mau que já passou”.

In which John Lennon is Split in two.

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Uma conversa entre personagens de autores indecisos

Tom Gauld.

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Mandamentos – Stephen King

1 – Leia e escreva. Um monte.

2 – Escreva todo dia. Um mínimo de mil palavras por dia. Se você for uma pessoa noturna, escreva à noite. Se for madrugador, escreva pela manhã. Se tem um emprego, escreva por duas ou três horas antes de ir para o trabalho.

3 – Encontre um local para escrever. E feche a porta. Seu lugar de escrever não precisa ser grande, pode ser do tamanho de um armário, mas precisa de uma porta para que você possa se trancar e deixar o mundo lá fora.

4 – Escreva a sua verdade. Não escreva para impressionar agentes, editores, outros escritores ou mesmo os amigos. Quando o leitor ouve fortes ecos de seus próprios ecos ou crenças, está mais apto para se interessar mais pela história.

5 – Não faça sinopses. Muitos escritores fazem sinopses ou resumos de suas histórias. A vida não tem roteiro e nem deve tê-los a sua história. Histórias criadas com sinopses parecem artificiais e trabalhadas.

6 – Pratique. Prática faz um escritor melhor. Pratique os mais importantes elementos de uma história: personagens, descrições e diálogos.

7 – Dê atenção à história. Boa ficção sempre começa pela história e progride até o tema.

8 – Revise. Imprima a primeira versão e deixe-a parada por seis semanas. Após seis semanas, volte a seu quarto de escrever e comece a revisá-la. Depois, dê uma cópia a um leitor escolhido. Quando receber uma resposta, mande o manuscrito a seus amigos.

9 – Se você escreve sobre algo que não sabe, pesquise.

10 – Participe de cursos, seminários e workshops de escrita.

On Writing: A Memoir of the Craft)

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Uma carta de recusa a Gertrude Stein

Cara Senhora,

Sou apenas um, apenas um, apenas um. Sendo apenas um, um ao mesmo tempo. Não dois, não três, apenas um. Apenas uma vida para viver, apenas 60 minutos em uma hora. Apenas um par de olhos. Somente um cérebro. Apenas um ser. Sendo apenas um, tendo apenas um par de olhos, tendo apenas um tempo, tendo apenas uma vida, não posso ler o seu MS três ou quatro vezes. Nem mesmo uma vez. Apenas um olhar, apenas um olhar é suficiente. Dificilmente iria vender uma cópia. Dificilmente uma. Dificilmente uma”.

Atenciosamente,

A. C. Fifield.

(Dez cartas de rejeição)

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Nelson Rodrigues fala de teatro

Nós sabemos que o sujeito mais livre do mundo é o leitor. Nada interfere no
pudor, na exclusividade e na inocência de sua relação com a obra de arte. Está só,
espantosamente só, com o soneto, o romance ou com o drama. Já o espectador é o
mais comprometido, o mais impuro e, por outra, o menos inteligente dos seres.

Eu percebi isso, de repente, na estréia de A mulher sem pecado. Não foi um texto
que me fez autor; nem a representação, nem o décor. Eu não era ainda autor no
ensaio geral. Foi preciso que, de repente, o público invadisse o teatro. Lembro-me
de uma senhora gorda, de chapéu, e que entrou — comendo pipocas. Naquele
momento, eu descobri uma verdade jamais suspeitada: — o teatro é a menos criada
das artes, a mais incriada das artes.

Gide tinha horror do teatro, porque este é a síntese de todas as artes. Nem
isso. O teatro não chega a ser arte. E a senhora gorda, devoradora de pipocas, tinha
um prodigioso valor simbólico. Afinal, eu escrevera para ela e pensando nela; e não
só eu. Dos gregos a Shakespeare, de Ibsen a O’Neill, todos escrevem para a senhora
gorda. Portanto, eu diria, ainda hoje, que ela é co-autora de cada texto dramático.

(A menina sem estrela)

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Uma abertura

Mesmo Glenn Gould, nosso amigo e o mais importante virtuose do piano deste século, não passou dos cinquenta e um, pensei ao entrar na portaria.

Só que, ao contrário de Werthemeier, ele não se suicidou: teve, como se diz, uma morte natural.

(THOMAS BERNHARD – O náufrago)

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Autofagia

O convite acima é do lançamento, amanhã, de Aquilae non gerunt columbas, conto que é o segundo lançamento da coleção “Contém um Drama”, da Não Editora.

Aqui, minha primeira resenha no site Meia Palavra. O texto é sobre “Desonra”, de J.M.Coetzee.

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Luminárias

Por Rune Guneriussen.

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Sexo e acidentes de carro

Em 1970, alguém do New Arts Laboratory, em Londres, me contactou para perguntar se eu gostaria de expor algo lá. Me ocorreu que poderia testar minha hipótese sobre os links inconscientes entre sexo e acidentes de carro. O Arts Lab me ofereceu a galeria por um mês. Eu dirigi por ferros-velhos no norte de Londres e paguei para que três carros, inclusive um Pontiac, fossem entregues na galeria.

Os carros foram expostos sem nenhum material gráfico de apoio, como se fossem grandes peças de escultura. Uma pessoa da TV, entusiasta do Arts Lab, ofereceu-me uma câmera e monitores nos quais os convidados  podiam ver a si mesmos enquanto passeavam em volta. Eu sugeri que ele contratasse uma jovem para entrevistar o público a respeito de suas reações. Contactada por telefone, ele aceitou fazer o trabalho nua, mas quando ela viu os carros acidentados, me disse que só aceitava topless – uma resposta significativa, senti no mesmo momento.

Eu nunca vi os convidados de uma galeria ficarem bêbados tão rápido. Havia uma grande tensão no ar, como se alguém se sentisse ameaçado por um alarme interno que começou a soar. Ninguém teria notado os carros se estivessem estacionados na rua, mas sob as luzes invariáveis da galeria estes veículos danificados pareciam provocar e perturbar. Vinho foi espalhado sobre os carros, janelas foram quebradas, a garota de topless quase foi estuprada no banco de trás do Pontiac (foi o que ela alegou) (…). Uma jornalista do New Society começou a me entrevistar sobre o caos, mas estava tão agitada pela indignação, da qual o jornal tinha um suprimento inesgotável, que se restringiu a me atacar.

Durante o mês os carros foram incessantemente atacados, manchados com tinta branca por um grupo hare kishna e dilapidados para roubo de espelhos e placas. Quando foram rebocados,  sem pesar, tinham sido confirmadas todas as minhas suspeitas a respeito das ligações inconscientes que minha novela podia explorar.

J.G. Ballard explica de onde vieram das idéias de Crash.

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Egolatria

Escrevi onze minibiografias na edição especial da revista Super  Interessante “59 heróis “quase) anônimos da 2ª Guerra”. Nas bancas.

* Aqui, a resenha que escrevi para o gauchão de Literatura.

** Há um conto meu na coletânea “O melhor da festa 3″, que será lançada no próximo dia 16 (sábado), no 512 Bar (Rua João Alfredo, 512, Cidade Baixa). Às 20h.

*** Outro conto meu estará na exposição “Na Tábua”, que reúne os trabalhos de autores e ilustradores convidados do projeto de Paulo Scott e Fábio Zimbres, que será aberta na próxima semana, no Museu do Trabalho.  Mais detalhes depois.

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Mandamentos: Will Self

1 –  Não olhe para trás até ter escrito um esboço completo, apenas começando a cada dia da última frase que você escreveu no dia anterior. Isso evita que esses sentimentos servis e significa que você tem um corpo substancial antes de mergulhar no verdadeiro trabalho real, que é tudo. . .

2 – A edição.

3 - Sempre carregue um notebook. E eu digo sempre. A memória de curto prazo só retém as informações por três minutos. A menos que seja colocada no papel, você pode perder uma idéia para sempre.

4 - Pare de ler ficção – que é tudo mentira mesmo e não tem nada para lhe dizer que você já não sabe (supondo, isto é, que você leu uma grande dose de ficção no passado. Se não leu, não é seu negócio, pela razão que for, ser um escritor de ficção).

5 - Sabe aquela sensação nauseante de inadequação e excesso de exposição que você sente quando olha para a sua própria prosa arroxeada? Relaxe com a consciência de que essa sensação medonha nunca, jamais irá deixá-lo, não importa o quão bem sucedido e elogiado publicamente você se torna. É intrínseca ao negócio real da escrita e deve ser valorizada.

6 - Viva e escreva sobre a vida. Não há, de fato, um fim para o que deve ser o tema de livros, mas há mais do que bastante livros sobre livros.

7 - Da mesma forma, lembre quanto tempo as pessoas passam assistindo TV. Se você estiver escrevendo um romance contemporâneo, precisa de longas passagens onde nada acontece exceto ver TV: “Mais tarde, George assistiu Grand Designs, enquanto comia HobNobs. Mais tarde, ele ainda assistiu o canal de compras por um tempo….”

8 - A vida de escritor é essencialmente um confinamento solitário – se você não consegue lidar com isso, não precisa tentar.

9 - Oh, e não esquecendo o espancamento ocasional administrado pelos sádicos guardiões da imaginação.

10 - Considere-se uma pequena empresa de uma pessoa só. Participe de atividades externas ao ar livre (caminhadas longas). Faça uma festa de Natal a cada ano, gritando, no canto do seu escritório, bem alto para si mesmo enquanto bebe uma garrafa de vinho branco. Então se masturbe debaixo da mesa. No dia seguinte, você vai se sentir um profundo e coerente embaraço.

No The Guardian.

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Getúlio se matou

“Com a cabeça voltada para o quadro que representa o juramento da Constituição de 1891 e os pés para o quadro ‘Pátria’, a cuja frente se acha um crucifixo, o corpo do presidente Getúlio Vargas recebe, desde as 17: 30 horas de ontem, no salão do Gabinete da Casa Militar da Presidência da República, no Palácio do Catete, as despedidas de milhares de populares que vão lhe fazer a última visita.(…) ”Nada fazia crer que fosse o Presidente se matar”, disseram-nos o general Caiado de Castro e Jango Goulart, com os quais ele conversara minutos antes de se recolher. O sr. Getúlio Vargas se recolheu ao quarto, sem mais uma palavra. Passados uns minutos – o tempo normal para a troca de roupa- ouviu-se um disparo. Acudiu, incontinenti, o sr. N. Sarmanho, que se encontrava na janela da sala contígua (a do elevador privativo do presidente). Já o sr.Getúlio Vargas agonizava. Da janela, o sr. Sarmanho fez um sinal para um oficial, pedindo que fosse o general Caiado avisado de que o sr. Getúluo Vargas havia se matado. Logo em seguida, o general Caiado chegava ao quarto, onde, não resistindo ao impacto da tragédia, foi acometido de forte crise de nervos, sofrendo uma síncope. A seguir, correndo escada acima, o sr. Benjamin Vargas gritava: “Getúlio se matou!”. O Palácio ficou em pânico, a família do presidente acorreu, entre gritos e lágrimas. Também o sr. Oswaldo Aranha logo chegou. Junto à cama, chorando, exclamou: “Abusaram demais da bondade desse homem!”.

(via Geneton Moraes Neto)

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Mandamentos: Raymond Carver e Tchekov

Em seu texto “Sobre o ato de escrever”, Carver elenca seus mandamentos como escritor; 1) não tentar sempre dominar o assunto, permitir-se a perplexidade; 2) precisão fundamental no discurso; 3) nunca usar truques; 4) saber valorizar os pontos finais; 5) escrever um pouco todo dia, sem esperança ou desalento. Tchekov, numa carta de maio de 1886, antes elencara os dele e as semelhanças com os de Carver são evidentes: 1) não incluir efusões sociopolíticas; 2) objetividade do começo ao fim; 3) ser verdadeiro na descrição dos personagens e das coisas; 4) extrema brevidade; 5) audácia e originalidade – evitar clichês; 6) ter um coração generoso.

Introdução de 68 CONTOS DE RAYMOND CARVER.

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